Espanha alivia metas de energia renovável para centros de dados até 2031, mas exige cortes de potência

By | 30/10/2026

Os novos centros de dados em Espanha vão beneficiar de prazos mais alargados e de regras mais flexíveis para cumprir as quotas de eletricidade renovável, mas terão de aceitar cortes automáticos de fornecimento em situações de sobrecarga da rede. A revisão do projeto de decreto governamental responde à oposição do setor tecnológico, onde gigantes norte-americanas como a Amazon e a Microsoft detêm investimentos no país.

Segundo avança a Bloomberg Línea, o executivo espanhol recuou na aplicação imediata das normas mais severas da sua proposta inicial, embora mantenha a meta de proteger os consumidores domésticos e industriais do impacto causado pelo crescimento destas infraestruturas de inteligência artificial.

Cortes de energia sem compensação em troca de maior flexibilidade

O alívio regulatório traz uma contrapartida técnica direta para as operadoras que optarem pelo regime de transição gradual. Estas instalações ficam obrigadas a integrar o Sistema de Redução Automática de Potência, gerido pela Red Eléctrica.

Na prática, este mecanismo permite ao operador da rede interromper o fornecimento elétrico aos centros de dados sempre que a estabilidade do sistema nacional o exija, sem direito a qualquer compensação financeira para as empresas. O objetivo passa por evitar que o consumo elevado destas infraestruturas comprometa o abastecimento geral ou provoque subidas nos preços da eletricidade para as famílias e para a indústria.

Transição faseada até 2031 e novo limite de 10 MW

A principal crítica das empresas tecnológicas centrava-se na exigência de comprovar que 80% do consumo elétrico era assegurado por fontes renováveis a cada hora de operação. Ao contrário dos contratos de compensação anual, onde basta adquirir um volume total equivalente ao gasto no final do ano, a correspondência horária coloca desafios técnicos a instalações que funcionam 24 horas por dia. A energia solar cobre parte das necessidades diurnas, mas o funcionamento noturno contínuo obriga a combinar diferentes fontes de produção, contratos específicos e sistemas de armazenamento em baterias.

Com a nova versão do documento, o objetivo dos 80% mantém-se intacto, mas passa a existir um período de adaptação até 2031. Até ao final de 2028, os centros de dados apenas terão de garantir 60% de consumo renovável durante as horas de ponta, percentagem que sobe para 70% a partir de 2029.

O diploma altera também a escala das infraestruturas abrangidas pelas regras. O patamar mínimo de potência de acesso sobe de 1 MW para 10 MW (megawatts, unidade que mede a capacidade instantânea de procura elétrica de uma instalação), concentrando as obrigações nos centros de dados de grande dimensão. Foi igualmente alargado de 18 para 36 meses o limite de antiguidade das centrais renováveis associadas aos contratos de fornecimento, contemplando ainda uma exceção para projetos fotovoltaicos sob condições contratuais específicas.

O texto revisto encontra-se sob análise do Conselho de Estado e aguarda aprovação definitiva enquanto real decreto.

(TT)