Avião elétrico alimentado por baterias leva 90 passageiros e voa 1 000 quilómetros

By | 30/10/2026

E9X, o avião que mostra que voar sem querosene já não é apenas um sonho. Pilotos já aprendem nos Países Baixos.

Uma empresa neerlandesa está a desenvolver um avião comercial totalmente elétrico, capaz de transportar 90 passageiros e percorrer até 1000 quilómetros com recurso a baterias.

O projeto E9X, da Elysian Aircraft, pretende contribuir para a redução das emissões poluentes da aviação e poderá entrar em serviço comercial em 2034. Os primeiros ensaios de voo de um demonstrador à escala já começaram nos Países Baixos, marcando uma nova etapa no desenvolvimento desta tecnologia.

A iniciativa surge num contexto de crescimento esperado do transporte aéreo mundial, cujo número de passageiros poderá duplicar nas próximas duas décadas. Perante o desafio de reduzir o impacto ambiental do setor, a empresa procura demonstrar que a propulsão elétrica pode ultrapassar as limitações tradicionalmente associadas ao peso e à capacidade das baterias.

O E9X deverá estar equipado com seis motores elétricos e asas com mais de 50 metros de envergadura. Para permitir a utilização das infraestruturas aeroportuárias existentes, o projeto prevê extremidades das asas rebatíveis. A principal inovação consiste na integração das baterias na própria estrutura das asas, uma solução que procura otimizar a distribuição do peso e tornar viável o transporte de um número elevado de passageiros.

A empresa prevê instalar cerca de 40 conjuntos de baterias nas asas, cada um com um peso aproximado de uma tonelada, indica o Euronews. A redução da massa total da aeronave, a gestão térmica e a escolha dos materiais constituem alguns dos principais desafios técnicos que a equipa procura resolver.

Segundo a Elysian, o avião poderá começar por oferecer uma autonomia de cerca de 800 quilómetros, aumentando posteriormente para 1000 quilómetros, sem contar com as reservas de energia necessárias à operação. A empresa estima que esta capacidade permita realizar uma parte significativa dos voos mundiais sem emissões diretas provenientes da propulsão, contribuindo potencialmente para uma redução de 20% das emissões totais da aviação. Estas projeções dependem, contudo, da concretização dos objetivos técnicos do projeto.

Enquanto o E9X permanece em desenvolvimento, os Países Baixos já dispõem de aviões elétricos de pequena dimensão utilizados na formação de pilotos. No aeroporto regional de Teuge, a E-Flight Academy opera uma aeronave de dois lugares que consegue voar durante 45 a 50 minutos com duas baterias, mantendo uma reserva de energia para mais dez minutos. O baixo nível de ruído é uma das vantagens destacadas pelos responsáveis.

A concretização da aviação elétrica em maior escala dependerá também da criação de infraestruturas de carregamento adequadas. Nesse sentido, a empresa NRG2fly está a desenvolver uma rede de carregamento para aeronaves elétricas, com planos de expansão dos Países Baixos para outros países europeus. O objetivo passa por integrar painéis solares, sistemas de armazenamento de energia e outras fontes renováveis no abastecimento dos aeroportos.

Apesar das perspetivas promissoras, o peso das baterias, a autonomia, a segurança e a certificação continuam a representar desafios importantes. O E9X continua em fase de desenvolvimento e investigação.

(ZAP)