A hora muda no domingo: que efeitos é que isso pode ter na nossa saúde? A UE não ia afinal acabar com isto?

By | 24/10/2026

Portugal regressa ao horário de inverno na madrugada de 25 de outubro. União Europeia discute há oito anos o fim das mudanças sazonais e um novo estudo poderá ajudar a desbloquear o impasse.

Na madrugada do próximo domingo, 25 de outubro, Portugal volta a entrar no horário de inverno. Os relógios vão recuar uma hora, uma mudança que se repete todos os anos, apesar de a União Europeia discutir desde 2018 a possibilidade de acabar com esta prática.

O processo continua sem uma decisão, mas a Comissão Europeia lançou um novo estudo para avaliar as consequências da adoção de um horário permanente. O Expresso explica, em sete perguntas e respostas, o que muda este fim de semana, porque continuamos a acertar os relógios e o que está em causa na discussão europeia.

1.

Quando muda a hora e o que é preciso fazer aos relógios?

A mudança acontece na madrugada de sábado, 24 de outubro, para domingo, dia 25. Em Portugal continental e na Madeira, quando forem 2h, os relógios devem ser atrasados uma hora, voltando a marcar 1h. Nos Açores, o acerto é feito à 1h, passando a ser 00h. A maioria dos telemóveis, computadores e outros dispositivos eletrónicos faz a alteração automaticamente, desde que esteja ativada a definição da hora automática.

2.

Vamos dormir mais uma hora? E o que acontece à luz do dia?

Sim, o atraso dos relógios faz com que o domingo tenha 25 horas, na prática, o que permite dormir mais uma hora a quem mantiver o horário habitual de despertar. A principal diferença será sentida na distribuição da luz natural: o sol vai nascer e pôr-se mais cedo, de acordo com o relógio.

3.

Por que é que continuamos a mudar a hora duas vezes por ano?

A mudança sazonal foi adotada em vários países europeus para aproveitar melhor a luz natural e reduzir o consumo de energia, sobretudo através de uma menor utilização da iluminação artificial. No entanto, os benefícios energéticos são hoje considerados reduzidos. A própria Comissão Europeia reconheceu, quando propôs acabar com a prática em 2018, que os estudos apontavam para poupanças marginais. Na União Europeia, as mudanças estão harmonizadas para evitar diferenças de calendário entre países, nomeadamente nos transportes e nas atividades económicas. O horário de verão começa no último domingo de março e termina no último domingo de outubro.

4.

Que efeitos pode ter a mudança da hora na saúde?

A alteração do horário pode perturbar temporariamente os padrões de sono e o relógio biológico, responsável por regular os ciclos de descanso e de vigília. Algumas pessoas podem sentir maior cansaço ou dificuldade de adaptação nos dias seguintes. Os estudos apontam, contudo, para efeitos mais pronunciados na passagem para o horário de verão, em março, quando se perde uma hora de sono (ao contrário do que acontecerá neste domingo).

5.

A União Europeia não tinha decidido acabar com a mudança da hora?

A proposta existe, mas nunca chegou a ser aprovada em definitivo. Em 2018, a Comissão Europeia defendeu o fim das mudanças sazonais, na sequência de uma consulta pública que recebeu 4,6 milhões de respostas, das quais 84% foram favoráveis à medida — só que foi uma consulta voluntária e não uma sondagem representativa da população europeia. No ano seguinte, o Parlamento Europeu aprovou o fim da prática, inicialmente previsto para 2021. Mas os Estados-membros não chegaram a acordo no Conselho da União Europeia, impedindo a entrada em vigor das alterações, e outros temas, como a pandemia de covid-19, acabaram por atirar o tema para terceiro plano.

6.

Porque é que é tão difícil chegar a acordo? E qual seria o impacto em Portugal?

O principal problema está na escolha do horário que cada país passaria a adotar durante todo o ano. Manter permanentemente a hora de verão permitiria ter mais luz ao final da tarde, mas também faria o sol nascer mais tarde durante o inverno; já a adoção permanente da hora de inverno teria o efeito contrário. Em Portugal, um parecer elaborado em 2018 pelo Observatório Astronómico de Lisboa alertou que, se fosse mantido o horário de verão durante todo o ano, o sol nasceria entre as oito e as nove da manhã durante cerca de quatro meses. Por outro lado, manter o horário de inverno também no verão faria o sol nascer perto das cinco da manhã, reduzindo a luminosidade disponível ao final da tarde. O Observatório defendeu, por isso, a manutenção do sistema atual. A discussão europeia envolve ainda a necessidade de evitar diferenças horárias que possam dificultar as relações económicas e os transportes entre países vizinhos.

7.

Há alguma novidade que permita acabar com a mudança da hora?

A Comissão Europeia está a tentar relançar a discussão. Depois de, em 2025, a presidência polaca do Conselho da União Europeia ter proposto um período experimental de dois anos com a hora de verão permanente, os Estados-membros pediram mais informação sobre as consequências da medida. Bruxelas lançou, em fevereiro deste ano, um estudo que avalia dez cenários diferentes, incluindo a manutenção permanente da hora de verão ou da hora de inverno e os efeitos de eventuais diferenças horárias entre países. A análise abrange áreas como a economia, a energia, os transportes e a saúde pública, estando prevista a sua conclusão até ao final deste ano. Os resultados poderão ajudar a retomar as negociações, mas ainda não existe um calendário para uma decisão. Até lá, as regras mantêm-se.

(Expresso)