Quer esteja a planear uma viagem pelo país ou simplesmente a deslocar-se pela cidade, é provável que utilize o Google Maps ou o Google Earth para se orientar e chegar ao seu destino.
No entanto, estas plataformas não servem apenas para encontrar moradas ou planear percursos.
Segundo o BGR, as imagens disponibilizadas pelo Google Maps e pelo Google Earth já contribuíram para descobertas como a localização de pessoas desaparecidas e a identificação de estruturas geológicas invulgares.
Pessoas desaparecidas
O caso de William Moldt ilustra como estas ferramentas podem contribuir para resolver mistérios antigos. Moldt desapareceu em 1997, aos 40 anos, depois de uma saída à noite em Lantana, na Florida, nos EUA. Apesar da investigação policial, o seu paradeiro permaneceu desconhecido durante mais de duas décadas, deixando familiares e amigos sem respostas.
Em 2019, um antigo residente da zona explorava imagens no Google Earth quando reparou num objeto invulgar num lago situado perto de uma antiga residência. Ao observar a imagem com mais atenção, percebeu que o objeto parecia ser um automóvel submerso.
As autoridades foram alertadas e, após a recuperação do veículo, confirmaram que se tratava de um automóvel associado ao desaparecimento de William Moldt. No seu interior encontravam-se os restos mortais do homem desaparecido.
Novas espécies
Há várias gerações que os investigadores procuram compreender a evolução humana através do estudo dos fósseis e dos vestígios dos nossos antepassados. Com o desenvolvimento da tecnologia, novas ferramentas têm permitido identificar locais de interesse e orientar as expedições científicas.
Em 2008, o paleoantropólogo Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, começou a utilizar o Google Earth para cartografar cavernas e depósitos fossilíferos conhecidos na região do Berço da Humanidade, uma área de grande importância para o estudo da evolução humana. Ao analisar imagens de satélite, procurou também identificar possíveis locais ainda não explorados.
Esta abordagem ajudou a localizar numerosas cavernas e potenciais depósitos fossilíferos, incluindo a área onde viria a ser descoberta a jazida de Malapa.
Em agosto de 2008, durante uma exploração no terreno, Matthew Berger, filho de Lee Berger, então com nove anos, encontrou um fragmento ósseo que viria a revelar-se parte de um esqueleto de hominídeo. As escavações posteriores permitiram recuperar fósseis de dois indivíduos, que contribuíram para a identificação de Australopithecus sediba.
Esta espécie viveu há aproximadamente dois milhões de anos e apresenta uma combinação de características anatómicas primitivas e outras que ajudam os investigadores a compreender a evolução dos primeiros hominídeos.
Padrões de calibração de satélite
Milhares de satélites artificiais orbitam atualmente a Terra, desempenhando funções que vão desde as telecomunicações e a navegação até à observação meteorológica, à investigação científica e à vigilância militar.
Para garantir a qualidade das imagens obtidas a partir do espaço, os sensores dos satélites têm de ser calibrados e testados. Para esse efeito, podem ser utilizados alvos terrestres com características conhecidas, que ajudam a avaliar o desempenho dos instrumentos e a interpretar corretamente as imagens captadas.
Ao explorar o Google Maps ou o Google Earth, é possível encontrar estruturas geométricas invulgares em regiões desérticas, incluindo no deserto de Gobi, na China.
Entre as interpretações propostas está a de que determinados padrões foram concebidos para ajudar a calibrar e orientar os sistemas de imagem de satélites militares chineses. Esta explicação foi defendida por especialistas que analisaram as imagens, embora não deva ser considerada uma confirmação oficial da finalidade de todas as estruturas observadas.
A utilização de alvos de calibração não é, contudo, exclusiva dos satélites militares. Existem também locais terrestres utilizados para avaliar o desempenho de satélites civis, incluindo os que monitorizam a superfície terrestre, acompanham alterações ambientais e contribuem para a investigação climática.
Assim, aquilo que à primeira vista parece um conjunto de linhas misteriosas no meio do deserto pode, em alguns casos, estar relacionado com as exigências técnicas da observação da Terra a partir do espaço.
Formações estranhas
Nem todas as descobertas feitas através do Google Earth estão relacionadas com investigações científicas ou acontecimentos misteriosos. Algumas resultam simplesmente da capacidade humana de reconhecer formas familiares nas paisagens naturais.
É o caso do Badlands Guardian, uma formação geomorfológica situada na província de Alberta, no Canadá, que ganhou notoriedade em 2006, depois de Lynn Hickox a ter identificado ao explorar o Google Earth.
Vista de cima, a formação assemelha-se ao perfil de um rosto humano, aparentemente com um adereço na cabeça. A semelhança é tão evidente que o local recebeu o nome de “Guardião das Badlands”.
Ruínas antigas
Por fim, nos primórdios do Google Earth, Luca Mori, um programador informático italiano, estava a divertir-se com o software recém-lançado. Enquanto explorava o seu país, deparou-se com algo que parecia um pouco estranho e ligeiramente fora do lugar para a época. Quando começou a investigar as áreas em redor da sua cidade natal, encontrou os vestígios de um rio antigo.
Seguindo o seu curso e explorando mais a fundo a área, deparou-se com várias sombras deixadas no solo, todas com uma forma retangular distinta, bem como com o que parecia ser um pátio. Depois de observar a área mais de perto e ver outras estruturas, pensou que o que estava a ver eram os vestígios de uma antiga aldeia romana.
(ZAP)
