CEO da Intel alerta que escassez de hardware para IA vai durar até três anos

By | 19/10/2026

A febre da inteligência artificial continua a inflacionar os preços dos componentes informáticos e a situação não vai melhorar a curto prazo. Segundo o Wccftech, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, avisou que a escassez de hardware dedicado à IA vai prolongar-se por mais dois a três anos.

O impacto desta procura reflete-se na subida acentuada do custo de construção de um computador. A tendência começou há cerca de um ano com a memória RAM, alastrou ao armazenamento NAND Flash dos discos SSD e atingiu as placas gráficas com os módulos VRAM. Atualmente, a compra destes componentes exige gastos adicionais na ordem das centenas de euros.

Aumento da procura por processadores

Embora as gráficas tenham sido as últimas a sofrer aumentos, a NVIDIA liderou a subida de preços e a AMD encareceu os seus produtos em 15,4%. As fabricantes de processadores também estão a registar lucros avultados com a transição tecnológica. A própria Intel viu as suas receitas na área dos centros de dados e IA crescerem 59% em termos homólogos.

Lip-Bu Tan explicou que o interesse crescente em agentes de IA está a impulsionar uma procura inesperada por processadores em relação aos chips gráficos. O executivo exemplificou esta mudança indicando que o rácio na indústria passou de oito gráficas por cada processador para apenas quatro nesta nova era de agentes de inteligência artificial.

Preços da memória recusam baixar

A escassez afeta todos os níveis da produção e a capacidade global de fabrico não consegue acompanhar o ritmo das encomendas, mesmo contabilizando o contributo asiático. Empresas chinesas como a CXMT na produção de DRAM e a YMTC no segmento NAND Flash chegaram a ser vistas como as salvadoras do mercado, mas a realidade provou o contrário e os preços mantêm-se elevados.

Os dados mostram que a memória RAM atingiu um pico de custo em fevereiro. Apesar de se ter registado uma ligeira descida de 7% no mês de março, os módulos continuam a ser 408% mais caros do que eram há exatamente um ano. Com a elevada procura atual a não dar sinais de abrandamento, as projeções que apontavam para o fim da escalada de preços em 2028 correm o risco de falhar.

(TT)