Portugal é o primeiro país a levar o programa Apps for Good ao Ensino Superior

By | 18/07/2026

Cinco instituições de ensino superior português, de Castelo Branco à Madeira, testaram este ano a metodologia que já passa por escolas, prisões e centros educativos, com a assinatura de um protocolo entre o CDI Portugal e a Egas Moniz School of Health & Science.

Portugal tornou-se o primeiro país da rede internacional Apps for Good a estender o programa ao ensino superior, naquela que é descrita como uma nova fase de crescimento da iniciativa em território nacional. A novidade foi assinalada com Encontros Locais promovidos ao longo de junho por cinco instituições: as Escolas Superiores de Educação dos Politécnicos de Castelo Branco, Coimbra e Porto, a Universidade da Madeira e a Egas Moniz School of Health & Science.

O Apps for Good é promovido em Portugal desde 2015 pelo CDI Portugal, em parceria com a Direção-Geral da Educação, e desafia estudantes a desenvolver soluções tecnológicas para problemas sociais, ambientais ou comunitários. Até agora, o programa concentrava-se no ensino básico e secundário, além de estabelecimentos prisionais e centros educativos, tendo este ano, pela primeira vez, chegado às salas de aula do ensino superior.

Cada instituição organizou o seu próprio encontro de apresentação de projetos: Castelo Branco a 2 de junho, Coimbra a 3, Porto a 9, e Egas Moniz a 16, encerrando assim o ciclo. Os números variam bastante de instituição para instituição, desde as 15 alunas e alunos numa equipa no Porto, integrados na área de Tecnologias para a Educação STEAM, até aos cerca de 202 estudantes do Mestrado Integrado em Medicina Dentária da Egas Moniz, onde o programa foi trabalhado na unidade curricular de Metodologias de Informação e Comunicação.

Em Coimbra, a experiência envolveu 58 alunos e 16 equipas, no âmbito da Licenciatura em Educação Básica, e em Castelo Branco participaram cerca de 30 alunos, divididos em oito equipas. Na Egas Moniz, os estudantes de Medicina Dentária desenvolveram soluções digitais ligadas ao ODS 3 (Saúde de Qualidade), com foco na saúde oral. Este projeto serviu de mote à assinatura de um protocolo de cooperação institucional entre o CDI Portugal e a instituição, formalizado em Almada a 16 de junho, entre o presidente da Egas Moniz, José João Mendes, e o diretor-executivo do CDI Portugal, João Baracho.

O acordo assinado prevê o desenvolvimento conjunto de iniciativas ligadas ao Apps for Good, à inovação pedagógica e ao desenvolvimento de competências digitais e de pensamento computacional no ensino superior. A entrada no ensino superior não nasceu do zero, tendo a ideia começado a ganhar forma em 2025, com o projeto-piloto UpComing Educators, direcionado a estudantes de Educação e à formação inicial de professores, preparando-os para levar a metodologia Apps for Good para as suas futuras salas de aula.

Este ano, o programa deu um passo adicional, passando a poder ser aplicado também a outros cursos universitários e politécnicos, não apenas à formação de docentes. Citado no comunicado, João Baracho, diretor-executivo do CDI Portugal, descreve a chegada ao ensino superior como “um passo muito importante” para o programa, sublinhando que os estudantes deste nível de ensino “têm já conhecimento científico e técnico que pode ser aplicado a problemas reais”.

João Baracho fala também num “investimento sistémico”, ao envolver futuros professores, profissionais de saúde e estudantes de outras áreas na multiplicação desta forma de aprender. Recordamos que o programa Apps for Good nasceu em Londres em 2010, tendo sido fundado por Iris Lapinski. Este é promovido em Portugal pelo CDI — Center of Digital Inclusion, uma organização não-governamental presente no país desde 2013.

(Teksapo)