Preço da memória RAM vai disparar e quase duplicar no final de 2026

By | 01/07/2026

Comprar um equipamento novo pode tornar-se uma missão bastante cara nos próximos meses. A memória RAM, outrora um dos componentes mais acessíveis para quem procurava montar ou atualizar um sistema, está a sofrer uma inflação galopante impulsionada pela elevada procura do setor da inteligência artificial. Segundo um relatório partilhado pelo portal Wccftech, os consumidores devem preparar-se para aumentos drásticos que podem chegar aos 50% já no terceiro trimestre de 2026.

A escalada de custos impulsionada pela inteligência artificial

Há alguns anos, melhorar o desempenho de uma máquina era uma decisão simples. Com cerca de 100 euros, os utilizadores portugueses conseguiam adquirir 32 GB de memória, um valor perfeitamente aceitável para jogar ou usar aplicações profissionais. Hoje, o cenário mudou de forma radical. O mesmo kit DDR5 já ultrapassa a barreira dos 220 euros nas lojas, e a tendência atual do mercado indica que as faturas vão ficar ainda mais pesadas.

O relatório da Jefferies Equity Research aponta que a febre em torno da inteligência artificial está a devorar toda a capacidade das fábricas. Sem stock suficiente para responder à fome global das grandes empresas tecnológicas, os preços da RAM vão sofrer um agravamento de 40% a 50% no terceiro trimestre de 2026. A situação agrava-se na reta final do ano, estando previsto um novo salto de 30% a 40% no quarto trimestre. Na prática, isto significa que montar um computador até ao Natal exigirá um orçamento muito mais folgado, com os custos apenas deste componente a poderem roçar os 400 euros.

Uma luz ao fundo do túnel apenas em 2028

Para quem guarda a esperança de que 2027 traga algum alívio financeiro, as previsões continuam a ser desanimadoras. O próximo ano continuará marcado por subidas na ordem dos 40% a 45% a nível interanual. A escassez obriga assim os consumidores a adiarem atualizações de sistema que não sejam estritamente urgentes, mantendo os seus componentes antigos em funcionamento durante mais tempo.

A verdadeira inversão de mercado só deverá acontecer em 2028. Dois grandes fatores vão contribuir para esta aguardada descida de 15% a 20% nos custos. Primeiro, a introdução do novo padrão DDR6 fará com que o foco corporativo transite para a tecnologia mais recente, empurrando finalmente o valor das DDR5 para baixo. Segundo, o aumento expressivo das linhas operacionais por parte de fabricantes como a CXMT e a YMTC promete inundar o mercado internacional e normalizar as cadeias de abastecimento globais. Até que esse momento chegue, gerir cuidadosamente os upgrades tecnológicos será a opção mais inteligente.

(TT)