Rival da Starlink avança na Rússia. Primeiros 16 satélites já estão em órbita

By | 28/03/2026

Com dois anos de atraso face ao calendário original, a empresa aeroespacial Bureau 1440 colocou em órbita o primeiro lote de satélites de produção da constelação Rassvet, numa corrida que começa com uma desvantagem colossal face à Starlink.

Na noite de segunda-feira, dia 23 de março, a Rússia lançou os seus primeiros 16 satélites de internet de alta velocidade para órbita, numa tentativa de desenvolver o Rassvet (palavra russa para Aurora), a sua própria versão da rede Starlink da SpaceX. O lançamento foi realizado a partir do Cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk, no norte da Rússia, a bordo de um foguetão Soyuz 2.1b. Os satélites foram lançados às 20h24 e já se encontram operacionais.

O lançamento marca a primeira vez que satélites de produção em série, e não unidades experimentais, são colocados em órbita no âmbito do programa. Os satélites são construídos sobre uma plataforma proprietária da Bureau 1440 e estão equipados com comunicações baseadas em 5G NTN (redes não terrestres) e um sistema de alimentação de nova geração. Todos estes terminais comunicam entre si utilizando um feixe de laser específico para ligações entre satélites, e motores de plasma para ajustes de posicionamento.

Após atingida a órbita desejada, decorreu o processo de separação com sucesso, tendo os 16 satélites sido já transferidos para o Centro de Controlo de Voo da empresa, onde serão submetidos a um conjunto de testes de sistemas antes de transitarem para as suas órbitas operacionais definitivas. Este projeto tem um historial de atrasos, já que os primeiros elementos da constelação estavam originalmente previstos para o final de 2025, mas sucessivos contratempos empurraram o arranque só para este mês.

Rassvet Satélite
Satélite de terceira geração da rede Rassvet

De acordo com o calendário oficial, deveriam ser lançados 172 satélites até ao final de 2026, objetivo que poucos acreditam que vá ser cumprido. A longo prazo, Dmitry Bakanov, diretor da Roscosmos, acredita que seja lançada uma ambiciosa constelação de mais de 900 satélites de baixa órbita até 2035. Esta rede será essencial para fornecer internet de banda larga em escala global, embora o foco inicial esteja no território Russo.

O contexto geopolítico confere ao projeto uma urgência que vai além da disponibilização do serviço à população civil. Comentadores pró-governamentais têm sublinhado a importância militar da Rassvet, nomeadamente após as forças russas terem perdido acesso aos serviços da Starlink no início deste ano. O lançamento coincide ainda com um aprofundamento das restrições ao acesso à internet dentro da própria Rússia.

Imagem comparativa das diferentes gerações dos satélites da rede Rassvet
Imagem comparativa das diferentes gerações dos satélites da rede Rassvet (fonte: X)

Ao longo do presente mês de março, as autoridades russas têm limitado o acesso à internet móvel em em grandes cidades, como Moscovo e São Petersburgo. As autoridades russas justificam estas falhas como sendo essencial para proteger “a segurança dos seus cidadãos”, daí o interesse da população na disponibilização de uma infraestrutura de comunicações por satélite russa.

Este projeto está abrangido pela iniciativa nacional “Economia de Dados”, garantindo assim um financiamento federal de 102,8 mil milhões de rublos, cerca de 1,1 mil milhões de euros. O restante financiamento fica a cargo da própria Bureau 1440, que terá que investir os restantes 329 mil milhões de rublos (cerca de 3,5 mil milhões de euros) até 2030. Embora ambicioso, será praticamente impossível acompanharem a vantagem que a rede Starlink da SpaceX já tem, com mais de 10.000 satélites operacionais em órbita.

(Teksapo)