Caças chineses de sexta geração poderão absorver radar inimigo para gerar energia

By | 04/01/2026

A China desenvolveu uma superfície inteligente capaz de transformar ondas eletromagnéticas em eletricidade. Esta inovação poderá ser usada tanto na tecnologia furtiva dos caças de combate como nas comunicações sem fios 6G.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Xidian, na China, criou uma superfície inteligente capaz de capturar radiação eletromagnética e convertê-la em eletricidade, alimentando qualquer equipamento, desde um computador aos sistemas de uma aeronave furtiva como o caça de sexta geração J-36.

Segundo os investigadores, a invenção, com aplicações civis e militares, poderá permitir que sistemas eletrónicos funcionem sem recurso a baterias. No entanto, segundo o South China Morning Post, a aplicação mais interessante para o Exército de Libertação Popular será de cariz militar.

Tradicionalmente, a sobrevivência de uma aeronave furtiva perante um radar depende de uma escolha técnica: desviar o sinal para que não regresse ao emissor ou absorvê-lo passivamente, dissipando a energia em calor residual.

Com esta nova superfície, o revestimento dos futuros caças chineses poderá usar os feixes de radar inimigos como fonte externa de alimentação, integrando numa única plataforma não só a transferência sem fios de informação, mas também a recolha de energia.

De acordo com o estudo, publicado na National Science Review, este sistema tem potencial para transformar profundamente a evolução das futuras redes 6G e as dinâmicas da guerra eletrónica, permitindo que os aparelhos não só se escondam, mas também que se alimentem do próprio ambiente que os tenta detetar.

Como funciona

O design é uma evolução da chamada Superfície Inteligente Reconfigurável (RIS), que funciona como uma parede coberta por milhares de pequenos espelhos, semelhantes aos de uma bola de espelhos de discoteca, sendo que cada espelho pode ser orientado individualmente a grande velocidade sob controlo de um microprocessador.

No universo das ondas de rádio, a superfície bidimensional é composta por minúsculos elementos capazes de manipular os sinais sem fios que nela incidem, reforçando a intensidade da sinalização ou, no caso militar, desviando-a para criar zonas mortas onde o inimigo não consegue detetar nem ouvir nada.

O verdadeiro salto evolutivo deste novo design chinês reside na sua capacidade de ser “tudo em um”.

Até agora, as superfícies RIS necessitavam de hardware separado para comunicações e para deteção de radares, o que aumentava custos e peso. Os investigadores de Universidade de Xidian conseguiram criar uma arquitetura que unifica o controlo das ondas dispersas e radiadas.

Se fosse pele humana, não só sentiria o calor do sol, como também utilizaria essa luz para comunicar com o cérebro e gerar a energia necessária para mover os músculos, tudo em simultâneo.

A equipa garante que este design “permite poupanças significativas em espaço físico e custos, assegurando ao mesmo tempo a multifuncionalidade”.

A mais interessante das capacidades é a recolha de energia. Tal como uma barragem utiliza o fluxo da água para mover turbinas e gerar eletricidade, esta superfície dinâmica pode captar a energia das ondas sem fios que constantemente a atingem. Quanto mais forte a intensidade do sinal, maior a energia gerada.

Isto significa que um caça furtivo equipado com esta superfície poderá utilizar os potentes feixes de radar inimigos não como uma ameaça, mas como fonte externa de energia para carregar os seus próprios sensores ou alimentar a própria metasuperfície que o mantém oculto.

É, em termos simples, como usar a força do murro de um adversário a teu favor.

Esta tecnologia poderá ainda ser a pedra angular da futura rede 6G chinesa. As novas superfícies RIS apresentam uma solução elegante, afirmam os inventores.

Ao manipular a frente de onda — a forma como a energia se propaga —, é possível garantir comunicações nítidas mesmo sem linha de visão direta, fazendo ricochetear o sinal à volta de edifícios ou obstáculos físicos, como se fosse uma bola de borracha inteligente que encontra sempre o seu destino.

Se funcionar à escala industrial, a implementação desta tecnologia em equipamento militar real parece ser o próximo passo lógico para Pequim, especialmente com o desenvolvimento dos J-36 e J-50, os seus caças de sexta geração.

(ZAP)