Elon Musk está envolto em nova polémica, em que está a pressionar os investidores: “Aprovem o meu salário ou deixo de ser CEO da Tesla”.
Elon Musk lançou um ultimato aos accionistas da Tesla: ou aprovam o seu novo pacote de compensação, avaliado em até 1 bilião (1 “trilião” norte-americano), ou ele deixará de liderar a empresa. A ameaça surge a poucas semanas da assembleia-geral de accionistas marcada para 6 de Novembro, num dos momentos mais conturbados da marca de automóveis eléctricos.
No centro da controvérsia está a Proposta 4, que define um plano de remuneração baseado em metas de desempenho e valor de mercado extremamente ambiciosas. A votação também inclui um novo referendo sobre o pacote de 47 mil milhões de euros aprovado em 2018, que foi considerado ilegal por um tribunal do Delaware devido à falta de transparência do conselho de administração – composto, em parte, por familiares e amigos de Musk. O episódio motivou a decisão do empresário de transferir a sede legal da Tesla para o Texas, onde acredita ter mais controlo e resultados judiciais mais favoráveis.
Outra medida polémica é a Proposta 3, que combina dois temas num só voto. Por um lado, pretende repor 60 milhões de acções no fundo de participação dos 120 mil funcionários da Tesla; por outro, cria uma “reserva especial” de 208 milhões de acções (cerca de 78 mil milhões de euros) destinada apenas a Musk, sem qualquer meta de desempenho associada. Assim, os accionistas são forçados a aprovar o fundo de Musk para que os trabalhadores recebam as suas próprias acções – uma jogada que muitos apelidam de ser uma verdadeira “chantagem corporativa”.
Tesla is worth more than all other automotive companies combined. Which of those CEOs would you like to run Tesla?
It won’t be me.
— Elon Musk (@elonmusk) October 19, 2025
Após vender milhares de milhões em acções da Tesla para financiar a compra do X (antigo Twitter), Musk reduziu a sua participação de cerca de 25% para 13%. Desde então não tem escondido que quer recuperar uma fatia de 25%, dizendo-se “inseguro” com a sua percentagem actual. Caso consiga esse nível de participação, Musk poderá bloquear com facilidade qualquer proposta que não lhe agrade na empresa. Enquanto isso, a Tesla enfrenta uma fase difícil: as vendas e os lucros estão em queda, e muitos analistas apontam o comportamento de Musk como um factor que tem prejudicado a imagem da marca. Mesmo assim, o valor em bolsa da empresa continua elevado, sustentado não pelas vendas em si mas pelas promessas de Musk para o futuro: como os robotáxis autónomos e os robots humanoides.
Os investidores sentem-se agora encurralados: votar contra o pacote pode levar Musk a abandonar o cargo e a levar consigo as promessas que mantêm o preço elevado das acções; votar a favor reforça o poder de um CEO cada vez menos consensual, assegurando-lhe até 1 “trilião” se tudo correr como promete, ou – no pior caso – dezenas de “biliões” mesmo que só consiga obter resultados abaixo da média.
(Pynik)
