Um número crescente de estudos tem sugerido que os pais podem desempenhar um papel importante na redução dos riscos associados à utilização excessiva ou dos dispositivos digitais pelas crianças e adolescentes.
“Os pais podem exercer uma influência realmente importante no que diz respeito aos comportamentos dos seus filhos nas redes sociais”, disse Jason Nagata, da Universidade da Califórnia, em São Francisco.
Um novo estudo, publicado este mês na JAMA Network Open analisou estudos sobre os impactos de várias políticas relacionadas com as redes sociais em todo o mundo. O estudo concluiu que a supervisão parental dos hábitos das crianças nas redes sociais é, em grande medida, eficaz para minimizar os malefícios do tempo passado em frente ao ecrã e nas redes sociais.
Eis as cinco formas pelas quais os pais podem ajudar os filhos a utilizar os dispositivos de forma mais segura:
Estabelecer limites para a utilização dos dispositivos
“Mesmo antes de elas terem os próprios dispositivos, já utilizávamos ferramentas para monitorizar o tempo de ecrã”, afirmou Elizabeth Hoover, mãe de duas adolescentes, de 15 e 17 anos.
Segundo o NPR, nessa altura, as filhas partilhavam um iPad da família. Mais tarde, no ensino primário, receberam os seus próprios smartphones. Hoover estabeleceu, contudo, regras sobre aquilo que podiam e não podiam fazer nos telemóveis.
Guardar os telemóveis durante as refeições e à hora de dormir
Entre as regras que Hoover adotou estava a proibição de utilizar os dispositivos durante as refeições e à hora de dormir. A American Academy of Pediatrics (AAP) recomenda igualmente que as famílias estabeleçam períodos e espaços sem ecrãs, incluindo durante as refeições e nos quartos, sobretudo à noite.
A investigação sugere que determinadas práticas de monitorização e definição de limites parentais estão associadas a uma menor utilização de ecrãs e a uma menor utilização problemática de alguns dispositivos e redes sociais.
Manter os telemóveis fora do quarto também pode favorecer o sono, uma vez que a utilização dos ecrãs à noite pode atrasar a hora de deitar e interferir com o sono. A AAP recomenda evitar a utilização de ecrãs na hora que antecede o sono e manter os dispositivos fora do quarto durante a noite.
Durante as refeições, a AAP recomenda igualmente a criação de períodos sem ecrãs. As refeições em família estão associadas a vários indicadores positivos do bem-estar e das relações familiares, embora os efeitos concretos dependam do contexto e da qualidade dessas interações.
Criar um plano familiar de utilização dos meios digitais
As regras relativas ao tempo de ecrã devem fazer parte de um plano familiar de utilização dos meios digitais. A AAP recomenda que esse plano seja adaptado à idade, às necessidades e às atividades de cada criança ou adolescente.
“É importante que os pais também sigam o plano”, acrescentou Nagata.
Servir de exemplo é importante. A utilização que os próprios pais fazem dos dispositivos pode estar relacionada com os hábitos digitais dos filhos. Por isso, as regras devem, tanto quanto possível, aplicar-se a toda a família.
“Seja curioso, não furioso”
A investigação sugere que a mediação parental, nomeadamente conversar com os filhos sobre aquilo que fazem online e ajudá-los a interpretar as suas experiências digitais, pode ser útil.
No entanto, os diferentes tipos de mediação parental não produzem resultados uniformes em todos os estudos, pelo que as restrições devem ser adaptadas à idade e à situação de cada criança.
A comunicação deve também ser recíproca. Se os pais encontrarem algo engraçado na Internet, podem partilhá-lo com os filhos. Se estes estiverem a jogar um jogo online, os pais podem, quando apropriado, juntar-se a eles.
A confiança e uma comunicação aberta podem facilitar a procura de ajuda quando os jovens enfrentam problemas ou situações desconfortáveis online.
Inicie a conversa cedo
É essa a abordagem utilizada por Elizabeth Hoover com as filhas. As conversas incluíam temas como o ciberbullying, as burlas online, os filtros do Instagram e as questões relacionadas com a privacidade.
Essas conversas tornaram-nas, de acordo com o seu relato, mais conscientes dos riscos associados à Internet. Hoover acredita que, se as filhas se depararem com algum problema online, se sentirão à vontade para procurar a mãe e pedir-lhe ajuda ou aconselhamento.
(ZAP)
