A empresa japonesa de semicondutores Rapidus revelou a ambição de construir uma unidade de fabrico de chips na Lua até ao ano 2040. O objetivo do projeto passa por aproveitar os recursos lunares para obter água ultrapura, um elemento essencial no processo de produção de componentes eletrónicos.
Segundo a informação partilhada pelo site MyDrivers, Atsuyoshi Koike, CEO da Rapidus, explicou que a intenção é extrair gelo das regiões polares da Lua que não recebem luz solar direta. Na teoria, este gelo pode ser purificado localmente, evitando assim o transporte de enormes quantidades de água a partir da Terra, que é repetidamente utilizada para limpar as wafers de silício durante as diferentes fases de fabrico. A empresa sublinha, contudo, que se trata apenas de uma visão a longo prazo, sem qualquer construção iniciada no momento.
Foco na produção terrestre para 2027
Enquanto a fábrica lunar permanece como um plano conceptual para o futuro, o projeto tangível da empresa é a instalação IIM-1 em Chitose, na região de Hokkaido. A Rapidus cumpriu a meta delineada na aliança formada em 2023 com a IBM, alcançando os primeiros protótipos funcionais de transistores GAA de 2 nm entre abril e julho de 2025.
A companhia pretende agora iniciar a produção em massa de processadores de 2 nm durante a segunda metade do ano fiscal de 2027. A estimativa inicial aponta para um fabrico de 6.000 wafers por mês, com a meta de aumentar a capacidade para 25.000 unidades mensais no espaço de um ano.
Investimento estatal e clientes em perspetiva
O plano do Japão passa por recuperar uma posição de destaque na vanguarda dos semicondutores e rivalizar com gigantes como a TSMC e a Samsung. Para apoiar a expansão das infraestruturas de fabrico, o Governo japonês injetou 631,5 mil milhões de ienes (cerca de 3,9 mil milhões de euros) de apoio. No total, as verbas estatais acumulam 2,354 biliões de ienes (perto de 14,7 mil milhões de euros) entre a fundação da marca, em 2022, e 2026.
Este montante junta-se a um financiamento privado de 167,6 mil milhões de ienes (cerca de 1,04 mil milhões de euros) garantido em fevereiro de 2026 através de 32 empresas. A Canon tornou-se o primeiro grande cliente oficial da fabricante japonesa, enquanto a Fujitsu já declarou a intenção de criar processadores de 1,4 nm usando as linhas da Rapidus em 2029. Em simultâneo, a fabricante nipónica continua a investigar o desenvolvimento de tecnologias na ordem de 1 nm em parceria com a IBM.
(TT)
