CERN vai migrar mais de 2.200 computadores para Debian 13 para evitar obsolescência do hardware

By | 06/09/2026

A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) decidiu transitar milhares dos seus sistemas industriais para o sistema operativo Debian 13. A medida visa evitar a obsolescência forçada de equipamento antigo e abrange mais de 2.200 computadores industriais e sistemas embebidos até ao final do ano. De acordo com informações avançadas pelo Phoronix, a alteração afeta especificamente as máquinas responsáveis pelo controlo de aceleradores de partículas.

Historicamente ligada ao ecossistema da Red Hat Enterprise Linux (RHEL) – tendo mesmo sido coresponsável pelo desenvolvimento do Scientific Linux e, mais recentemente, utilizadora do AlmaLinux -, a organização revelou a mudança durante a conferência MiniDebConf, realizada em Winterthur, na Suíça. O principal motivo apontado para a substituição do RHEL no controlo industrial prende-se com a utilização por defeito da flag de compilação “-march=x86-64-v2”, que tornaria o hardware mais antigo incompatível com as novas versões do sistema.

Desafios na transição e suporte de longo prazo

A adoção do Debian não decorre sem obstáculos técnicos. Os responsáveis pelo projeto no CERN detalharam que têm enfrentado desafios consideráveis durante o processo de migração, nomeadamente a falta de ferramentas padronizadas para compilação automatizada, lacunas na publicação de pacotes e a ausência de suporte para múltiplas versões em diversas ferramentas essenciais para a sua operação diária.

Apesar destas limitações, a transição para o Debian 13 garante ao CERN suporte de longo prazo (LTS) até 2030, permitindo estender a vida útil das infraestruturas industriais sem a necessidade de substituição prematura de componentes físicos.

Infraestrutura de centros de dados mantém-se inalterada

Para esclarecer o alcance desta transição, o CERN reforçou que a mudança se restringe exclusivamente aos computadores industriais e aos sistemas embebidos de controlo do acelerador. Os centros de dados da organização e o ecossistema de computação experimental vão continuar a utilizar a distribuição Linux baseada em RHEL e AlmaLinux, mantendo a arquitetura atual nessas áreas de processamento massivo de dados.

(TT)