Combustíveis de marca branca (low-cost) estragam?

By | 06/09/2026

Como já dissemos várias vezes na Leak.pt, o condutor português tem uma relação de amor e ódio muito peculiar com a sua viatura. Somos aquele povo curioso que refila e faz um escândalo quando o café ao balcão sobe cinco cêntimos, mas depois não pensa duas vezes antes de pagar mais 20 cêntimos por litro numa bomba de marca tradicional só para “não estragar o motor com combustível de supermercado”.

Existe muito ódio aos combustíveis de marca branca como Auchan, Intermarché ou Prio. Mas, isto é e continua a ser um dos mitos urbanos mais ridículos e enraizados das nossas estradas. Ou seja, criou-se a teoria quase religiosa de que o combustível mais barato é veneno, enquanto o aditivado de topo opera autênticos milagres mecânicos.

Como deves imaginar, isto não é verdade.

Low-Cost? A origem é rigorosamente a mesma e as cisternas enchem no mesmo sítio

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Agora que os combustível andam a roçar o ridículo do preço, vamos diretos ao cerne da questão para desmontar a ilusão que o marketing das grandes gasolineiras andou anos a enfiar na cabeça dos condutores.

No centro e sul do país, por exemplo, o combustível sai exatamente das mesmas refinarias e dos mesmos depósitos centrais. Não existem refinarias mágicas e/ou imaginárias para cada marca a operar em Portugal.

Mais concretamente, a base do combustível simples é rigorosamente a mesma para a bomba do hipermercado ou para a estação de serviço premium da autoestrada, obedecendo às mesmíssimas normas europeias de conformidade e testes laboratoriais da ENSE.

A única variação no produto final são os pacotes de aditivos específicos que cada marca introduz na cisterna para melhorar a detergência e lubrificação das válvulas e injetores. Além disto, a limpeza de cada cisterna também pode variar.

Mas daí até dizer que o gasóleo ou gasolina de marca branca partem motores vai uma distância descomunal, sobretudo quando há frotas inteiras, táxis e carros particulares a passar dos 300 mil e 500 mil quilómetros a beber exclusivamente nos postos mais baratos sem um único soluço mecânico.

O verdadeiro culpado? Qual é?

No fundo, onde mora o verdadeiro risco de abastecer está no estado dos tanques subterrâneos de cada posto de abastecimento.

Uma bomba com pouco movimento, tanques velhos ou infiltrações de água e sedimentos vai arruinar os teus injetores. Isto quer pertença a uma multinacional de renome quer seja de um hipermercado da esquina. O segredo prático resume-se a abastecer em postos movimentados, com grande rotação de combustível, e evitar atestar logo no momento em que a cisterna pesada acabou de descarregar e revirar os resíduos do fundo do reservatório.

(Leak)