Novos dados mostram que as baterias dos elétricos duram mais do que se previa

By | 02/08/2026

Segundo uma nova análise, os automóveis elétricos modernos mantêm, em média, 95% da autonomia original ao fim de cinco anos.

Quando a Nissan lançou o Leaf, em 2010, um dos primeiros automóveis elétricos produzidos para o grande público, o modelo depressa ganhou fama de sofrer uma rápida degradação da bateria.

Essa má reputação acompanhou os veículos elétricos em geral durante mais de uma década, e, ainda hoje, o custo da reparação ou substituição das baterias continua a ser uma das principais preocupações dos potenciais compradores.

Num inquérito realizado em 2026 pela American Automobile Association, 56% das pessoas que disseram ser pouco provável comprarem um automóvel elétrico apontaram o elevado custo de reparar ou substituir a bateria. Foi o motivo mais referido pelos participantes.

Novos dados sugerem, no entanto, que estes receios poderão estar cada vez mais desatualizados, diz o Gizmodo.

Atualmente, um automóvel elétrico médio conserva 97% da autonomia original ao fim de três anos e 95% ao fim de cinco, segundo uma análise da Recurrent, empresa especializada em dados sobre veículos elétricos.

Por exemplo, os modelos de 2026 têm atualmente uma autonomia média de 523 quilómetros. Cinco anos depois, deverão continuar a conseguir percorrer cerca de 497 quilómetros com uma carga.

Além disso, a substituição da bateria parece ser rara nos veículos elétricos mais recentes. Outra análise da Recurrent concluiu que apenas 0,3% dos modelos de 2022 ou posteriores tinham precisado de uma bateria nova.

Uma análise da Geotab, empresa de dados sobre veículos, concluiu igualmente que as baterias dos automóveis elétricos mantêm, em geral, um bom estado de conservação. Depois de examinar mais de 22.700 veículos, a empresa apurou uma taxa média de degradação anual de apenas 2,3%.

Viet Nguyen-Tien, investigador de veículos elétricos na London School of Economics, explicou recentemente ao The Wall Street Journal que os avanços na composição química das baterias, na gestão térmica e nos sistemas de controlo tornaram as baterias atuais mais duradouras do que as utilizadas nas primeiras gerações de automóveis elétricos.

Os dados chegam numa altura em que os preços cada vez mais elevados dos combustíveis estão a empurrar os portugueses para os elétricos.

No primeiro semestre de 2026, foram matriculados 34.706 ligeiros de passageiros 100% elétricos, mais 38,7% do que no mesmo período do ano anterior, passando a representar 25,3% das novas matrículas. Em junho, a quota subiu para 28,7% — quase um em cada três automóveis novos.

A confirmar-se esta maior durabilidade ao longo da vida dos veículos, o receio de ter de substituir prematuramente uma bateria cara poderá estar mais ligado às limitações dos primeiros modelos do que à realidade dos elétricos atuais.

(ZAP)