A China deu um passo crucial para reduzir a sua dependência tecnológica de fornecedores estrangeiros ao iniciar a produção em massa das suas próprias máquinas de litografia ultravioleta profunda (DUV) por imersão. Segundo as informações avançadas pelo The Information, estes equipamentos são essenciais para o fabrico avançada de semicondutores e visam contornar os bloqueios comerciais internacionais.
As primeiras unidades do equipamento deverão ser entregues ainda durante o ano de 2026 a grandes fabricantes locais como a ChangXin Memory Technologies (CXMT), a Hua Hong Semiconductor e a SMIC. Para o ano de 2027, as projeções apontam para que o território chinês conte com um inventário de pelo menos 20 destas máquinas operacionais.
Estatal lidera o desenvolvimento tecnológico
De acordo com fontes contactadas pela agência Reuters, o processo de produção industrial está a ser liderado pela Shanghai Aishengna Electronic Technology Group. Esta empresa estatal, criada em 2023 com o suporte financeiro da Shanghai Electric Holding e de uma participada da Shanghai International Trust, cresceu substancialmente após absorver a equipa técnica da startup Yuliangsheng — que já tinha desenvolvido um protótipo funcional no ano passado.
Para além disso, a fabricante recrutou especialistas vindos da Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE), uma entidade afiliada da SiCarrier e que conta com o apoio estratégico da Huawei.
Impacto no mercado e alternativa ao bloqueio
O novo mecanismo utiliza uma camada de água purificada entre a lente de projeção e a placa de silício, permitindo imprimir circuitos eletrónicos em escalas muito mais reduzidas do que os sistemas convencionais a seco. Trata-se de uma alternativa direta aos sistemas de litografia ultravioleta extrema (EUV), cujo acesso foi fortemente restringido pelas sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.
A revelação deste avanço gerou um impacto imediato no mercado financeiro global. A gigante holandesa ASML, líder na exportação de maquinaria de ponta para semicondutores, registou uma queda de 8,5% nas suas ações no início da semana. Outras empresas de referência do setor, como a Besi e a ASM International, sofreram quebras nas bolsas que rondaram os 10% e 7%, respetivamente. O mesmo cenário de desvalorização foi partilhado por tecnológicas norte-americanas, incluindo a AMD, a Lam Research, a Applied Materials e a KLA, todas com recuos fixados perto dos 7%.
(TT)
