Tecnologia de IA portuguesa vai reduzir o consumo de água nos hotéis PortoBay

By | 24/05/2026

A startup portuguesa Savearth estabeleceu uma parceria com o Grupo PortoBay para integrar um novo sistema de inteligência artificial em 220 quartos de hotel. Com o arranque da implementação previsto para este mês de maio, o projeto visa monitorizar o consumo de água dos hóspedes através do som, promovendo a eficiência hídrica e energética de forma passiva, sem afetar o nível de conforto das estadias.

Segundo a informação detalhada no comunicado oficial do projeto, esta fase avança com 146 quartos no PortoBay Santa Maria, no Funchal, e 74 no PortoBay Marquês, em Lisboa. A decisão do grupo hoteleiro reflete uma aposta clara na adoção da inovação à escala operacional, ultrapassando a tradicional fase de projeto-piloto para gerar impacto imediato nas suas unidades.

Como a análise de som no duche otimiza o consumo

O grande alvo desta intervenção recai sobre os duches, apontados como um dos maiores focos de consumo invisível nas infraestruturas hoteleiras. A tecnologia desenvolvida pela startup atua através da captação e análise inteligente do som da água a correr, evitando a necessidade de sensores invasivos ou intervenções dispendiosas na canalização existente.

Durante o banho, a plataforma recolhe os indicadores acústicos em tempo real e devolve uma perspetiva de consumo ao hóspede, incentivando uma utilização mais racional dos recursos. O objetivo central deste mecanismo passa por reduzir em pelo menos 30% o gasto associado à água quente. Esta descida no desperdício traduz-se numa vantagem dupla: melhora as métricas de governação ambiental e social e reduz diretamente os custos fixos de operação do hotel.

Inovação com resultados práticos na hotelaria

Para o CEO da Savearth, João Machado, a adesão da PortoBay a este modelo operacional alargado reflete a confiança que os grandes grupos já depositam neste tipo de ferramentas. O responsável sublinha que a gestão eficiente suportada por IA permite atualmente erradicar desperdícios sem criar qualquer atrito na experiência ou comodidade de quem visita os espaços.

O setor do turismo atravessa um período de forte escrutínio em relação aos seus custos diários e à urgência no cumprimento de metas de sustentabilidade rigorosas. A integração destas ferramentas de monitorização não obstrutiva demonstra a transição do mercado nacional para soluções focadas em dados práticos, que garantem não só a proteção dos recursos naturais, mas também um retorno tangível na operação financeira das empresas.

(TT)