Tesla admite que “às vezes” há humanos a conduzir remotamente os seus robotaxis

By | 09/04/2026

O controlo remoto “só é utilizado como último recurso”, diz a construtora norte-americana de veículos elétricos.

Apesar de anos de promessas sobre a tecnologia autónoma, a Tesla afirma que os seus robôs-táxi ainda dependem de humanos que podem intervir e conduzir quando algo corre mal — um pequeno problema para uma empresa que diz que o seu futuro se baseia em robotaxis e robôs humanoides.

Numa carta enviada ao senador Ed Markey a 26 de março, a empresa de Elon Musk assume que operadores humanos podem, em casos raros, assumir remotamente o controlo direto dos veículos.

A admissão diferencia a Tesla de concorrentes que garantem que as suas equipas de apoio apenas aconselham o sistema de condução, sem conduzirem efetivamente os carros, diz o TechSpot.

A carta da Tesla é uma resposta   à investigação de Markey sobre a forma como as empresas de veículos autónomos recorrem a operadores de assistência remota.

Segundo a construtora norte-americana, embora os seus veículos não sejam conduzidos remotamente em condições normais, operadores remotos podem “assumir temporariamente o controlo direto do veículo” como medida de último recurso, depois de terem falhado outras formas de intervenção.

Segundo a carta, estes operadores só podem assumir temporariamente o controlo a 3 km/h por hora ou menos. Se o sistema de condução automatizada autorizar o acesso direto, a velocidade máxima fica limitada a 16 km/h .

A Waymo, que também tem estado sob escrutínio pelo recurso a este tipo de operadores de assistência remota, afirma que o seu pessoal dá aconselhamento e apoio, mas não controla diretamente, não manobra nem conduz o veículo.

Em fevereiro, o TechSpot noticiou que a Waymo, da empresa mãe do Google, tem cerca de 70 agentes de assistência remota de serviço em qualquer momento, com centros nos Estados Unidos e nas Filipinas. A Tesla diz que todos os seus operadores remotos são trabalhadores da empresa, sediados em Austin, no Texas, e em Palo Alto, na Califórnia.

Se alguém tinha dúvidas, dissiparam-se: os robotáxis continuam a envolver muitos humanos nos bastidores.

A Tesla lançou o seu serviço de transporte em Austin em junho de 2025, e a maioria dos cerca de 50 robotáxis atualmente em circulação continua a ter operadores humanos de segurança sentados no banco da frente do passageiro, prontos para intervir, se necessário.

Os robotáxis da Tesla podem ser capazes de se conduzir sozinhos durante grande parte do tempo, mas a empresa confirmou, no essencial, que, quando a situação se torna suficientemente complicada, um humano continua a poder assumir o volante — só que a partir de uma secretária, em vez do banco do condutor.

Uma coisa é certa, e quase parece uma vantagem. Quando fazemos uma viagem num robotaxi, nunca viajamos sozinhos

(ZAP)