Portugal investe 15,6 milhões de euros no projeto de fábrica de IA com Espanha, Roménia e Turquia

By | 08/04/2026

Do investimento aprovado pelo governo, 12 milhões de euros dizem respeito à comparticipação na atualização do supercomputador MareNostrum 5, com os restantes 3,6 milhões a destinarem-se aos custos operacionais da fábrica de IA entre 2026 e 2028.

O governo aprovou um investimento de até 15,6 milhões de euros, entre 2026 e 2028, no projeto de Fábrica de IA em Portugal que participa em colaboração com Espanha, Roménia e Turquia. A ele junta-se outro investimento de 3,7 milhões de euros no supercomputador português Deucalion.

Recorde-se que, em dezembro de 2024, a proposta para uma fábrica de IA apresentada pelo consórcio que reúne os quatro países foi selecionada pela Empresa Comum Europeia para a Computação de Alto Desempenho (EuroHPC JU, na sigla em inglês).

A fábrica de IA em Espanha, localizada no Centro de Supercomputação de Barcelona, resultará da atualização do supercomputador MareNostrum 5. O contrato de expansão do supercomputador, assinado pela EuroHPC JU) no final de 2025, prevê um investimento total de 129 milhões de euros. 

Metade do investimento é assegurado pela EuroHPC JU, com o montante restante a ser repartido entre os países que participam no projeto. Em Portugal, a participação é assegurada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), com o apoio do Centro Nacional de Computação Avançada (CNCA) e financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

De acordo com uma Resolução do Conselho de Ministros, publicada em Diário da República, o projeto “concretiza duas medidas da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, previstas no Plano de Ação 2025-2026 da Estratégia Digital Nacional”.

Do investimento de 15,6 milhões de euros, 12 milhões dizem respeito à comparticipação na atualização do supercomputador MareNostrum 5. Os restantes 3,6 milhões de euros destinam-se aos custos operacionais da fábrica de IA entre 2026 e 2028.

Tabela de investimentos previstos no projeto de fábrica de IA em que Portugal participa

Já no que diz respeito ao Deucalion, a Resolução indica que é “necessário assegurar as condições de operação” do supercomputador “através de equipas altamente especializadas que assegurem a operação diária deste recurso avançado, até ao termo do contrato celebrado com a EuroHPC JU, em 2029”.

Nesse sentido, entre 2026 e 2029, estão previstos investimentos anuais de 925 mil euros para as despesas operacionais do Deucalion. 

Instalado no campus de Azurém da Universidade do Minho, em Guimarães, o Deucalion já acolheu mais de 350 projetos e 1.000 utilizadores, sendo operado tecnicamente pelo Centro Nacional de Computação Avançada e com os seus recursos a serem geridos pela FCT.

Clique nas imagens para ver o Deucalion com mais detalhe

1 / 16

Além das fábricas de IA anunciadas em 2024, em outubro de 2025, Bruxelas avançou com uma expansão da infraestrutura de computação dedicada à tecnologia, com a integração de seis novas AI Factories na rede europeia

As novas fábricas estão instaladas na República Checa, Lituânia, Países Baixos, Roménia, Espanha e Polónia. Ao todo, a rede passou a contar com 19 AI Factories em 16 Estados-membros da UE.

Mapa de fábricas de IA na Europa

Em paralelo às fábricas de IA, as gigafábricas de IA afirmam-se como um dos pontos-chave do AI Continent Action Plan apresentado pela Comissão Europeia em abril do ano passado.

O plano do executivo comunitário passa por instalar cinco fábricas de grande escala, impulsionadas por um investimento de 20 mil milhões de euros e equipadas com cerca de 100.000 chips de IA avançados, integrando data centers e elevadas capacidades de computação para desenvolver modelos de IA complexos.

Em março, numa declaração conjunta assinada na 36.ª Cimeira Luso-Espanhola, Portugal e Espanha formalizam a intenção de apresentar uma candidatura conjunta à Comissão Europeia para o desenvolvimento de uma gigafábrica de IA.

Está prevista a instalação de infraestruturas tanto em Portugal como em Espanha, num investimento de 8 mil milhões de euros. Do lado de Portugal, Sines será a localização escolhida para a instalação das infraestruturas, com o Estado a investir 6 milhões de euros, num montante comparticipado pela União Europeia.

(Teksapo)