NASA quer base na Lua em 10 anos para cumprir promessa de Trump

By | 26/03/2026

Ainda antes que termine o mandato do presidente Donald Trump, a NASA compromete-se a construir a base na Lua e acelera a missão Artémis. Mas há muito mais nos planos hoje apresentados.

O novo plano da NASA para a ciência e o espaço chama-se Ignition e está a ser apresentado hoje, com algumas mudanças de estratégia e ajustes no calendário das várias fases da missão Artémis. Tudo para que as promessas do presidente Donald Trump, e a sua política nacional para o espaço, sejam cumpridas antes do final do mandato.

Na conferência que está a decorrer, e que pode ser acompanhada online, a NASA mostrou os planos para a Lua, Marte e mais além, incluindo um prolongamento da vida da Estação Espacial Internacional, a construção de uma base lunar e a utilização de potência nuclear no espaço com o Space Reactor‑1 Freedom. É uma “era dourada” que se projeta, e que pretende ter a colaboração alargada de parceiros do sector privado.

A NASA está empenhada em alcançar mais uma vez o quase impossível: regressar à Lua antes do fim do mandato do Presidente Trump, construir uma base lunar, estabelecer uma presença permanente e realizar as restantes ações necessárias para garantir a liderança americana no espaço, defende Jared Isaacman, administrador da NASA.

No Ignition a agência espacial americana procura compromissos e um alinhamento em relação à missão, e o administrador lembra que “o tempo está a esgotar-se nesta competição entre grandes potências, e o sucesso ou o fracasso serão medidos em meses, não em anos”.

Recorde-se que a China já partilhou os planos para construir uma base na Lua antes de 2030 e que os Estados Unidos se arriscam a ficar em segundo lugar nesta nova corrida ao espaço. Nos anos 60 o objetivo era ultrapassar a União Soviética, o que impulsionou a corrida espacial com o discurso de John F. Kennedy em 1962 e a famosa frase “Nós escolhemos ir à Lua”.

“Se concentrarmos os extraordinários recursos da NASA nos objetivos da Política Espacial Nacional, eliminarmos os obstáculos desnecessários que impedem o progresso e libertarmos o poder da força de trabalho e da indústria da nossa nação e parceiros, então regressar à Lua e construir uma base parecerá insignificante em comparação com o que seremos capazes de fazer nos próximos anos”, sublinhou o administrador da agência.

 

Objetivo não é apenas chegar à Lua mas ficar

“A América nunca mais vai desistir da Lua”, afirma Jared Isaacman, garantindo que o objetivo não é apenas chegar à Lua mas permanecer no satélite natural da Terra, com uma base permanente. Para isso que normalizar a arquitetura dos rockets, estender o conhecimento da NASA à indústria e aumentar a cadência de lançamentos para suportar as operações lunares.

A missão Artémis, que tem um lançamento planeado da Artemis II para 1 de abril deste ano depois do adiamento, continua no centro da estratégia, e agora a NASA quer definir os próximos passos para além da Artemis V, com pelo menos dois fornecedores independentes que possam levar astronautas ao solo lunar a cada 6 meses.

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A base lunar que está a ser preparada tem várias fases, primeiro coma construção com serviço de entrega regulares, mais atividade lunar com novos rovers e instrumentos de análise e consolidação de tecnologias de mobilidade e geração de energia, comunicações e navegação. Numa segunda fase a ideia é estabelecer uma infraestrutura semi habitável e definir operações recorrentes de astronautas, com a utilização do rover da JAXA, a agência espacial japonesa. Segue-se a fase três para garantir a presença humana, com uma infraestrutura permanente com a participação da agência espacial italiana e a canadiana, e oportunidades para outras parcerias.

A partir do próximo ano a NASA quer enviar equipamentos e rovers com carga científica para a Lua, e fazer testes com drones MoonFall.

Estação Espacial Internacional com novas fases

A vida útil da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) vai ser prolongada, mantendo a presença de astronautas no espaço. A ISS já teve várias datas para ser descomissionada, mas a última data tinha sido definida para 2030. Agora a ideia é manter a estação em órbita e adicionar mais um módulo, pago pelo governo norte americano, o Core Module, a que se vão juntar módulos comerciais que sejam validados e que possam mais tarde ser desligados

Nas últimas duas décadas a Estação Espacial funcionou como um laboratório em órbita, aberto a parceiros internacionais, com visitantes de 26 países. A NASA lembra que foram realizados 37 voos de vaivém e 160 caminhadas espaciais e que o custo total é estimado em mais de 100 mil milhões de dólares.

O laboratório orbital não pode operar indefinidamente. A transição para estações comerciais deve ser ponderada, deliberada e estruturada para garantir o sucesso da indústria a longo prazo, refere a NASA.

Na informação partilhada fica aberta a porta para “estimular a economia orbital” e alargar oportunidades para a indústria, incluindo “missões privadas de astronautas, venda de lugares de comandante, missões conjuntas, competições de múltiplos módulos e prémios”.

Para Marte e mais além

Os objetivos do novo plano estendem-se para além da Lua, e passam também pelas missões científicas do telescópio James Webb Space e da Parker Solar Probe, assim como pelo telescópio espacial Nancy Grace que será lançado este ano.

 telescópio Nancy Grace Roman
Telescópio Nancy Grace Roman

Na apresentação que está a decorrer foi também destacado o octocoptero Dragonfly que deverá chegara à lua Titan, de Saturno, para explorar o ambiente, e há mais instrumentos a caminho de Marte, como o rover Rosalind Franklin da ESA.

A cadência de lançamentos vai ser acelerada e a NASA quer lançar até 30 equipamentos robóticos até 2027 para a superfície da Lua. E para além dos rovers há hoppers e drones e ainda hoje será aberta a possibilidade de colaboração nos objetivos científicos e tecnológicos para 2027 e 2028.

Na lista está também o lançamento do Space Reactor‑1 Freedom, a primeira nave espacial interplanetária alimentada por propulsão nuclear no espaço profundo. “A propulsão elétrica nuclear oferece uma capacidade extraordinária para o transporte eficiente de massa no espaço profundo e possibilita missões de alta potência para além de Júpiter, onde os painéis solares não são eficazes”, refere a agência.

(Teksapo)