Um drone quer ficar meses no ar. A energia vai chegar-lhe do chão

By | 09/10/2026

É uma espécie de satélite, sem órbita. Durante o dia, os painéis solares alimentam o drone e carregam as baterias. À noite, usa a energia acumulada.

Um drone solar britânico vai tentar resolver um problema antigo dos aparelhos que passam meses na estratosfera: o que fazer quando deixa de haver Sol.

A solução passa por enviar energia do solo através de micro-ondas.

Desenvolvido pela Prismatic, da BAE Systems, o  PHASA-35 vai testar esta tecnologia num programa financiado pela agência britânica ARIA.

Segundo o New Atlas, o contrato vale  cerca de 18 milhões de euros, e prevê três fases ao longo de três anos e meio.

No final deverá haver uma demonstração em voo.

O PHASA-35 tem 35 metros de envergadura, pesa cerca de 150 quilos e foi concebido para operar acima dos 20 quilómetros de altitude.

É uma zona muito acima do tráfego aéreo convencional. A esta altitude, estes aparelhos podem ficar sossegados durante longos períodos, a observar o solo, assegurar comunicações ou transportar sensores.

Durante o dia, os painéis solares alimentam o drone e carregam as baterias. À noite, resta a energia acumulada.

Isso funciona melhor perto do equador, onde a duração dos dias varia pouco. No norte da Europa, o inverno complica tudo. Há demasiadas horas sem luz e as baterias tornam-se um limite.

A ideia agora é apontar um feixe de micro-ondas a partir do solo para o aparelho.

Um recetor instalado na asa deverá captar essa energia e convertê-la em eletricidade. Pode alimentar os motores e carregar as baterias enquanto o drone continua no ar.

Se resultar, o PHASA-35 poderá operar durante meses sem depender apenas do ciclo entre dia e noite.

Também poderá precisar de menos baterias. Isso liberta peso para sensores, equipamentos de comunicações ou outras cargas. Atualmente, o aparelho consegue transportar até 15 quilos.

O PHASA-35 já chegou à estratosfera. Em 2023 ultrapassou os 20 quilómetros de altitude num voo de 24 horas.

O que ainda falta provar é precisamente a parte mais ambiciosa: manter o aparelho alimentado a partir do solo durante operações reais.

É isso que o novo programa vai testar.

(ZAP)