Várias organizações do setor financeiro criaram a European Network for Payments (ENP), uma empresa conjunta concebida para reforçar a soberania europeia e integrar as redes de pagamento existentes no continente. A nova infraestrutura pretende aumentar a interoperabilidade entre os sistemas concorrentes e reduzir a dependência de gigantes norte-americanos como a Visa e a Mastercard, de acordo com as informações avançadas pelo TechSpot.
A iniciativa ENP teve origem em 2023, mas a autonomia financeira e tecnológica na Europa assumiu agora uma importância crítica. Entre os fundadores da entidade encontram-se a portuguesa SIBS-MB WAY, a espanhola Bizum, a italiana Bancomat, a empresa de carteira digital europeia Wero e a nórdica Vipps MobilePay. Em conjunto, estas redes cobrem 70% da população europeia e norueguesa, servindo as necessidades de pagamento de 130 milhões de utilizadores em 13 países.
Conectividade e implementação por fases
Em vez de criar uma rede totalmente nova a partir do zero, a ENP vai focar-se em aproximar e interligar as plataformas já existentes no mercado. Com sede em Madrid, a nova organização começará por estabelecer a ligação técnica adequada entre as redes operacionais, adotando uma infraestrutura técnica e operacional comum baseada em normas europeias.
O plano de implementação da ENP será realizado de forma gradual, iniciando-se pelos pagamentos transfronteiriços e pelas transações presenciais. Numa fase posterior, o serviço abrangerá o comércio eletrónico, pagamentos online e terminais de ponto de venda em lojas físicas. A organização planeia absorver os custos operacionais iniciais para garantir a construção da infraestrutura básica antes de começar a aplicar taxas.
Resposta à fragmentação do mercado
A CEO da European Payments Initiative, Martina Weimert, salienta que a fragmentação do setor impediu durante anos a criação de uma plataforma de pagamentos comum no Velho Continente. A ENP propõe uma solução baseada na cooperação e antecipa a entrada de novos membros no futuro para expandir a capacidade de cobertura do projeto.
Paralelamente, o Banco Central Europeu prossegue o desenvolvimento da sua própria solução com o euro digital. Daqui a alguns anos, a carteira digital gerida pela instituição bancária poderá funcionar como um sistema de pagamento complementar à rede desenvolvida pela ENP.
(TT)
