Hcor explica quando alertas de smartwatch exigem ida às urgências

By | 02/10/2026

O aumento de adultos a recorrer às urgências em São Paulo devido a notificações dos relógios inteligentes levou o hospital Hcor a emitir novas orientações. A instituição clarifica que a deslocação imediata a uma unidade de saúde só se justifica perante sintomas graves ou súbitos, recomendando que os registos dos aparelhos sejam utilizados sobretudo para a investigação clínica de arritmias em consultas de rotina.

A capacidade de diagnóstico intermitente tem-se revelado valiosa no meio médico. Cerca de 60% a 70% dos pacientes que procuram assistência após receberem alertas no smartwatch acabam por obter a confirmação clínica de arritmias. Estes dispositivos conseguem gravar os episódios no momento exato em que ocorrem, o que ajuda a detetar alterações que exames tradicionais, como o Holter, podem não captar durante o seu período limitado de monitorização.

Falsos alarmes e limitações técnicas

Apesar da utilidade diagnóstica, a tecnologia apresenta limites estruturais. Os relógios operam com apenas uma derivação de eletrocardiograma, sendo incapazes de diagnosticar enfartes, uma condição que exige exames completos de 12 derivações. Fatores quotidianos como ansiedade, consumo excessivo de café, desidratação, privação de sono ou o ajuste demasiado folgado da bracelete provocam frequentemente taquicardias temporárias ou leituras imprecisas.

Esta dependência da medição contínua pode desencadear insegurança e vulnerabilidade nos utilizadores sempre que o equipamento fica sem bateria ou é retirado do pulso. Perante notificações isoladas e sem mal-estar associado, a recomendação é tratar o assunto sem urgência.

Integração clínica da informação

A relevância da partilha destes dados com os médicos é apoiada pela American Heart Association, especificamente para investigar casos de fibrilhação auricular.

Segundo o cardiologista Alexandre Abla, a informação gerada pelos relógios assume especial utilidade perante sintomas intermitentes, referindo a situação comum em que “o paciente sente uma alteração no coração, mas chega ao hospital depois de o episódio já ter terminado”. O médico nota que os métodos convencionais podem desencontrar-se do momento em que a arritmia surge, enquanto o relógio consegue registar a ocorrência em tempo real, auxiliando fortemente a conclusão dos diagnósticos.

(TT)