“Papá, porque é que não posso ver já as fotos?” — e o pai inventou a Polaroid

By | 26/09/2026

“Daddy, why can’t I see the pictures right now?”. Com a típica curiosidade de uma criança de três anos, Jennifer Land fez, durante um passeio fotográfico com o seu pai, uma pergunta que viria a revolucionar o mundo.

Foi Jenniffer Land “a menina que começou tudo”, escreve a curadora Deborah Douglas, do Museu MIT, que hoje detém 272 folhas de testes do desenvolvimento do filme instantâneo — anos e anos de experiências, falhanços, testes, tentativas secretas até ao anúncio oficial de 1947. Uma dessas folhas de testes contém duas fotografias de uma menina, numa das quais ao colo de Edwin Land, que o museu acredita ser Jennifer.

A curadora coloca a importância do filme instantâneo muito à frente das câmaras inventadas pela Polaroid. Deixamos de ver para ver e ter, diz Douglas, com o menor número possível de barreiras entre os dois. Até a possibilidade atual de tirar uma fotografia digital e partilhá-la imediatamente realiza, de certa forma, a visão de Edwin Land.

Claro que Jennifer não foi a primeira a sonhar tirar a fotografia e tê-la imediatamente nas mãos. Foram perguntas anteriores de Clarence Kennedy, professor de História da Arte no Smith College, sobre como produzir imagens tridimensionais de esculturas que levaram inicialmente a Polaroid para o negócio da imagem. Amigo de Land, foi ele quem deu o nome de “Polaroid” à marca.

A fotografia instantânea seria anunciada em 21 de fevereiro de 1947. A Model 95 foi a primeira câmara Polaroid comercialmente distribuída: custava 95 dólares, e surgiu em 1948, cinco anos depois do início do projeto secreto SX-70 comandado por Edwin Land, que envolveu milhares de colaboradores e levaria à célebre câmara integral apresentada em 1972.

O processo de cerca de um minuto funcionava assim: depois do disparo, a película passava entre dois rolos que rompiam uma pequena bolsa com reagentes químicos, que se espalhavam entre o negativo e a folha positiva. Os sais de prata não expostos eram dissolvidos e transferidos para essa camada positiva, onde formavam a imagem final.

O processo de transferência por difusão, essencial à tecnologia, tinha sido desenvolvido independentemente no final dos anos 1930 por Edith Weyde, da Agfa, e André Rott, da Gevaert.

(Tomás Guimarães, ZAP)