Tempestade em terra, calor no mar? Temperaturas no oceano bateram novos recordes a 22 de agosto

By | 27/08/2026

Os números recolhidos pelo sistema de observação do Copernicus não deixam dúvidas sobre a subida da temperatura dos oceanos. Já se está a desenvolver um El Niño mais forte no Pacífico.

Em Portugal a chuva de fim de Agosto surpreendeu muitos que tinham marcado para estas semanas alguns dias de férias para gozar a praia, mas o calor extremo que se tem sentido na Europa está para ficar e tem batido novos recordes. Também no oceano a temperatura não pára de subir e os dados do serviço de observação do Copernicus acabam de revelas que, a 22 de agosto, foram ultrapassados novos máximos.

A temperatura média diária registada à superfície ultrapassou os recordes anteriores, de 2024, quando atingiram is 21,09 graus. Agora as medições chegaram aos 21,1º C, indica o Copernicus Climate Change Service (C3S)

Embora os registos diários devam ser sempre interpretados dentro de um contexto climático mais amplo, este marco é consistente com o aquecimento contínuo e a longo prazo do oceano global e com o surgimento de um evento El Niño extremo no Pacífico tropical”, refere a comunicação do serviço Copernicus

Os cientistas destacam também o momento em que se regista esta anomalia, já que a temperatura global do oceano é normalmente mais elevada em março e abril, na sequência do verão austral. Mas o novo recorde diário soma-se a uma sucessão de meses de recordes observados este ano no oceano extra polar.

Ainda na semana passada a ESA dava conta de que o Sentinel-1 tinha observado o momento em que o glaciar Petermann, no noroeste da Gronelândia, teve um desprendimento de uma secção de 76 km² de gelo flutuante, a 4 de agosto de 2026.

A animação mostra a evolução da zona do glaciar

Desenvolvimento do El Niño

Os especialistas avisam que está a desenvolver-se um El Niño mais forte, tornando ainda mais perigoso o fenômeno climático global que surge de variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do mar sobre o Oceano Pacífico tropical. Os sistemas de previsão sugerem que possa “atingir níveis não vistos nas últimas décadas”.

O número das ondas de calor mais do que triplicou desde o início dos anos 90, causando mais pressão nos ecossistemas. “Este recorde é mais um sinal claro de um oceano sob crescente pressão. O El Niño está a adicionar calor ao sistema, mas está a fazê-lo no meio de décadas de aquecimento causado pela ação humana”, afirma Samantha Burgess, responsável pela área do clima da ECMWF.

Com o aquecimento do oceano, há maior transmissão de mais calor e humidade para a atmosfera, podendo intensificar as chuvas e alguns sistemas de tempestades. Um oceano mais quente torna-se também menos eficiente na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, enfraquecendo potencialmente uma das mais importantes barreiras naturais do planeta contra as alterações climáticas.

(Teksapo)