O maior avião totalmente elétrico do mundo completou o primeiro voo

By | 26/08/2026

O X1 leva a aviação elétrica para uma escala próxima da comercial, mas continua limitado pelo peso e pela baixa densidade energética das baterias. A tecnologia servirá agora de base ao ES-30, um avião regional híbrido-elétrico de 30 lugares.

Caiu mais um recorde: o maior avião totalmente elétrico do mundo realizou o seu primeiro voo.

A 12 de agosto de 2026, o X1, um avião de demonstração de 11.340 kg da aeroespacial norte-americana Heart Aerospace, levantou voo em Plattsburgh, no estado de Nova Iorque, para um teste de voo de 27 minutos realizado sob supervisão da FAA.

Os aviões totalmente elétricos, equipados com motores alimentados exclusivamente por baterias, existem há mais de meio século, e alguns modelos estão mesmo certificados desde 2020.

Apesar dos progressos consideráveis, estas aeronaves continuam a enfrentar um problema de escala, explica o New Atlas.

Construir um aparelho para uma pessoa, ou até um avião de passageiros capaz de transportar cerca de uma dúzia de pessoas, é uma coisa. Passar para a categoria de peso necessária para tornar um avião comercial economicamente viável é outra bem diferente.

O X1 Demonstrator da Heart Aerospace é um passo importante nesse sentido. Com uma envergadura de 32 metros, tem dimensões comparáveis às de um turbo-hélice regional convencional.

O peso à descolagem do protótipo é, no entanto, bastante inferior ao de um De Havilland Canada Dash 8-Q300, por exemplo, que chega aos 19.500 kg. O X1 também tem menor velocidade e autonomia.

Esta limitação afeta todos os aviões totalmente elétricos. As baterias têm uma densidade energética muito inferior à do combustível de aviação e, ao contrário dos depósitos de combustível, que ficam mais leves ao longo do voo, mantêm sempre o mesmo peso.

ponto de vista da carga útil, esse peso transforma-se rapidamente num entrave.

Ainda assim, o X1 foi concebido como precursor do ES-30, o modelo híbrido-elétrico de produção, com 30 lugares. A empresa afirma que terá custos operacionais 40% inferiores aos dos aviões regionais convencionais.

O voo serviu não só para demonstrar que é possível construir e operar uma aeronave totalmente elétrica com este peso, mas também para ajudar a cumprir os requisitos de certificação da FAA.

Durante os 27 minutos de voo, o X1 atingiu uma altitude de 335 metros. Cumpriu ainda todas as fases previstas, incluindo a circulação em terra, descolagem, subida, manobras e aterragem.

“Com o primeiro voo do X1, a Heart Aerospace demonstrou que o voo elétrico é possível à escala de um avião comercial”, afirmou Anders Forslund, fundador e diretor executivo da Heart Aerospace.

“Os aviões comerciais elétricos têm potencial para transformar profundamente a economia das companhias aéreas e, em última análise, reduzir o custo das viagens de avião para os passageiros”, realça Forslund.

“É esse o centro da nossa visão de um transporte aéreo muito mais disponível, em que a eletrificação permite serviços mais acessíveis, frequentes e limpos de e para aeroportos mais próximos de casa”, concluiu.

(ZAP)