Entre a “corrida” aos óculos e a procura pelos melhores locais de observação, são muitos os que se preparam para acompanhar o eclipse solar. Saiba a que horas pode acompanhar o fenómeno e como observá-lo em segurança, mesmo que não tenha conseguido encontrar óculos próprios para o eclipse.
Nas últimas semanas, o eclipse solar total tem vindo a despertar a curiosidade de quem espera poder assistir ao fenómeno e, hoje, será possível observá-lo. Em Portugal, o momento torna-se ainda mais especial: o último eclipse solar total visível no país aconteceu em 1912 e o próximo só está previsto para 2144.
O fenómeno poderá ser observado na totalidade numa faixa que atravessa a Gronelândia, a Islândia, o Atlântico Norte e Espanha. Noutras regiões da Europa, incluindo a maior parte do território português, será observado como um eclipse parcial.
Já numa pequena faixa do distrito de Bragança, numa área do Parque Natural de Montesinho, ficará dentro do caminho da totalidade. Nesta zona, durante breves instantes por volta das 19h30, a Lua cobrirá completamente o Sol.
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No Porto o eclipse acontece entre as 18h34 e as 20h25, estando o pico máximo “marcado” para as 19h32, com 98,2% do Sol coberto. Em Lisboa, o eclipse começará por volta das 18h39 e atingirá o máximo às 19h36, com perto de 94,5% de cobertura, terminando às 20h29.
Em Setúbal, o máximo também ocorrerá por volta das 19h36, com cerca de 94,35% do Sol coberto. Para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira é prevista uma percentagem de ocultação que ronda entre os 74% a 77%.
Se tem dúvidas quanto à visibilidade do fenómeno no local onde se encontra, pode visitar a plataforma oficial Eclipse 2026 para verificar a percentagem de ocultação, bem como o início, máximo e término.
O que acontece num eclipse solar? Veja a explicação da ESA
Onde acompanhar o fenómeno?
Em Portugal estão previstas centenas de iniciativas dedicadas à ciência e à observação do eclipse. Segundo a plataforma oficial dedicada ao fenómeno, há mais de 350 iniciativas espalhadas pelo país, promovidas por centros Ciência Viva, autarquias, universidades, observatórios e associações de astronomia, entre observações públicas, oficinas para famílias, palestras, visitas guiadas e sessões dedicadas à interpretação do céu.
Se está num local onde as condições de observação não são as melhores pode aproveitar para acompanhar o eclipse online. A agência Ciência Viva vai organizar uma transmissão ao vivo, a partir do Parque natural de Montesinho, em Bragança, que pode acompanhar através do YouTube.
O fenómeno será também acompanhado pela Agência Espacial Europeia (ESA), que vai promover observações e uma transmissão em direto a partir de Espanha, com explicações sobre a ciência do eclipse e as missões europeias que estudam o Sol e a sua influência na Terra.
Às transmissões da ESA juntam-se a da NASA, bem como a do Virtual Telescope Project, cuja cobertura será feita em simultâneo a partir da Espanha e da região de Manciano, na Itália, onde o eclipse será parcial.
Como observar (e fotografar) em segurança?
Olhar diretamente para o Sol a “olho nu” pode causar danos irreversíveis nos olhos, alerta a Direção-Geral de Saúde (DGS). O mesmo se aplica às observações feitas através de um telescópio ou binóculos sem filtros solares especializados, bem como da câmara de um smartphone ou visor ótico de câmara, que, além de porem em causa a sua visão, podem danificar os equipamentos.
Materiais como radiografias, vidros negros ou lentes não devem ser utilizados como filtros solares uma vez que são incapazes de filtrar toda a radiação nociva para os olhos, sendo insuficientes para evitar danos na retina.
Para acompanhar o fenómeno em segurança deve apenas utilizar óculos certificados para o eclipse solar. “Óculos de sol padrão, polarizados ou escuros não oferecem a necessária proteção contra a radiação solar do eclipse”, afirma a DGS. Deve sempre colocar os óculos antes de olhar para o Sol, desviando o olhar do “astro-rei” antes de os retirar.
Segundo a DGS, as crianças devem ser sempre acompanhadas por um adulto durante o eclipse. Note, no entanto, que bebés e crianças pequenas não devem observar diretamente o fenómeno.
Nos últimos dias, a “corrida” ao óculos do eclipse tem sido intensa, com vários locais a esgotarem o stock. Por outro lado, se não conseguiu encontrar um par, há outros métodos que pode aproveitar para observar o fenómeno em segurança.
Na plataforma oficial Eclipse 2026, encontra três métodos de de projeção indireta que não requerem qualquer contato dos olhos com a radiação solar e que requerem materiais simples, como caixas de cartão e folhas de papel ou cartolina, para criar, por exemplo, uma espécie de “câmara escura”. Os métodos de observação indireta são também recomendados pela NASA, que deixa mais sugestões.

É possível fotografar o eclipse com o smartphone ou com uma câmara fotográfica? Sim, mas há várias medidas a ter em conta para fazê-lo em segurança, que pode consultar com mais detalhe neste artigo. Por exemplo, antes de apontar o smartphone ao Sol, deve colocar um filtro solar próprio para equipamentos óticos à frente da lente, evitando improvisos com óculos de sol ou outros materiais que não são adequados.
Mas há motivos para continuar as observações depois do eclipse. A chuva de estrelas das Perseidas regressou no dia 17 de julho, num fenómeno que se prolonga até ao dia 24 de agosto. É entre a noite de 12 de agosto e as primeiras horas da madrugada do dia 13 que esta chuva de meteoros atinge o seu pico de intensidade.
Esta chuva de estrelas destaca-se pela sua abundância, variando entre 50 a 100 meteoros por hora, mas também pela sua luminosidade e rapidez, com muitas das estrelas cadentes a deixarem longos rastos de luz e até “bolas de fogo” à medida que passam pela atmosfera.
Com o satélite natural da Terra na fase de Lua Nova a manter o céu escuro, as condições de visibilidade deverão ser ideais para a observação, aponta a NASA.
(Teksapo)
