Portugal prepara uma candidatura conjunta com Espanha e já reservou até 200 milhões de euros para comprar capacidade de computação, caso o projeto seja escolhido.
A União Europeia abriu esta quinta-feira o concurso para instalar até sete “gigafábricas” de inteligência artificial.
Estas instalações terão uma escala muito superior à dos centros de dados convencionais. Vão reunir milhares de processadores avançados, sistemas de armazenamento, redes de alta velocidade e serviços de computação na nuvem.
O objetivo é criar na Europa capacidade para treinar e executar os modelos de IA mais exigentes, reduzindo a dependência de infraestruturas estrangeiras.
Bruxelas espera mobilizar mais de 30 mil milhões de euros. Até 10 mil milhões deverão ser assegurados pela União Europeia e pelos Estados participantes.
Segundo o comunicado da Comissão Europeia, o restante, pelo menos 20 mil milhões, terá de vir de empresas e investidores privados.
Podem concorrer consórcios formados por empresas, entidades públicas e investidores. Uma gigafábrica poderá concentrar-se num único local ou distribuir a infraestrutura por vários países, uma possibilidade que favorece candidaturas transfronteiriças.
As propostas têm de ser entregues até 12 de novembro de 2026. A escolha deverá ocorrer no início de 2027 e os centros selecionados terão 18 meses para começar a funcionar.
Portugal quer entrar nesta corrida ao lado de Espanha. Os dois governos assinaram, em março, um memorando para preparar uma candidatura ibérica.
Em junho, o Conselho de Ministros autorizou o envolvimento do Estado português e confirmou a intenção de participar no projeto.
Os 200 milhões de euros anunciados pelo Governo não se destinam diretamente à construção da infraestrutura; servirão para comprar capacidade de computação na primeira fase da gigafábrica.
A EuroHPC, entidade europeia responsável pelo programa, deverá disponibilizar um montante idêntico, elevando para 400 milhões de euros o investimento público inicial associado à componente portuguesa.
O Executivo estima que essa componente possa representar um investimento total próximo dos 4 mil milhões de euros, contando com capital privado.
A capacidade instalada deverá ficar disponível para empresas, universidades, centros de investigação e organismos públicos. O Governo aponta ainda como vantagem a possibilidade de tratar dados sensíveis em infraestrutura sujeita às regras europeias.
A concorrência será intensa.
Segundo a Euronews, a fase preliminar recebeu 76 manifestações de interesse, relativas a 60 locais em 16 Estados-membros. Portugal figura também entre os dez países que manifestaram intenção de acolher estas infraestruturas.
A abertura do concurso transforma agora o plano português numa corrida formal, mas a escolha dos locais dependerá da capacidade financeira, técnica e energética apresentada por cada consórcio.
(ZAP)
