Ciberataque à Unitel deixa Angola sem comunicações na véspera da estreia em bolsa

By | 01/08/2026

A Unitel, principal operadora de telecomunicações em Angola, foi alvo de um ataque informático de grandes dimensões durante a madrugada desta terça-feira, que deixou todo o país sem serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet. Segundo confirmou a empresa em comunicado oficial, o incidente crítico ocorreu na véspera da sua aguardada entrada na bolsa de valores.

A investida contra a infraestrutura tecnológica da operadora foi registada pelas 02h20 (mesma hora em Lisboa). De imediato, foram ativados os mecanismos de resposta e contenção, com as equipas técnicas e de cibersegurança focadas em mitigar os efeitos para assegurar a reposição integral da rede, que se manteve fortemente condicionada durante todo o dia.

Impacto severo nas empresas e no quotidiano

O apagão tecnológico gerou ondas de choque imediatas na economia local e na rotina dos cidadãos. De acordo com os relatos recolhidos pela agência Lusa, os clientes particulares ficaram impossibilitados de realizar chamadas básicas ou de utilizar serviços de transporte por aplicação, bem como a Internet fixa nas residências.

No setor empresarial, a quebra dos sistemas informáticos e das comunicações provocou constrangimentos profundos. As empresas reportaram dificuldades acentuadas na faturação e na manutenção do contacto com clientes e fornecedores. Num caso prático reportado por uma clínica, a falta de comunicações bloqueou o acesso ao centro de atendimento telefónico, impediu agendamentos e travou a validação de processos com as seguradoras, gerando atrasos e afetando a experiência final do utente. Para manter um grau mínimo de continuidade de negócio, várias entidades viram-se forçadas a mobilizar recursos extraordinários e a procurar redes de operadores alternativos.

Pressão financeira e peso no setor

A falha ocorre no momento mais sensível da história financeira da operadora: a apenas 24 horas da estreia na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), agendada para quarta-feira. Esta entrada em negociação reflete a privatização de 15% do capital da empresa.

Através do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), o Estado angolano vendeu 7,5 milhões de ações num processo de oferta pública realizado entre 06 e 24 de julho — com 13% direcionados ao público em geral e 2% reservados aos trabalhadores. A operação gerou um encaixe financeiro de quase 300 milhões de euros para os cofres do Estado.

O impacto da indisponibilidade de serviço sublinha o peso estrutural da operadora no país. Segundo o Relatório & Contas de 2025, a Unitel conta com 20,8 milhões de clientes e domina as telecomunicações com uma quota de mercado de 76%, gerindo também operações internacionais em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde.

(TT)