Entre os 20 valores na escola, os treinos de corrida de montanha, a patinagem artística e o piano, Lua Afonso encontrou ainda tempo para alimentar a paixão pelo espaço. Aos 18 anos, a jovem da Covilhã prepara-se agora para dar o passo mais ambicioso de um percurso já cheio de distinções.
A estudante portuguesa Lua Afonso foi uma das jovens escolhidas para representar a Europa na final da International Space Settlement Design Competition, que se realiza nos Estados Unidos, junto ao Kennedy Space Center — a fase mais exigente da competição, para a qual foi selecionada depois de participar na final europeia.
Aluna de 20 valores a todas as disciplinas, Lua Afonso divide os livros com o piano, a corrida de montanha e a patinagem artística, que pratica desde os quatro anos.
Lua venceu duas vezes o Concurso Nacional de Leitura em Voz Alta, venceu o Campeonato Nacional de Oratória e Eloquência “Voz — O Poder da Palavra” e integra a seleção nacional de skyrunning. Como concilia tudo? Diz que consegue graças ao planeamento e a uma forte base de apoio familiar.
Mesmo assim, recusa rótulos: “Eu não sou uma mente brilhante ou uma aluna sobredotada”, afirmou ao Público.
A prova em que agora entra simula o funcionamento de empresas do setor aeroespacial: em equipa, os estudantes respondem a um pedido formal de propostas e concebem um habitat espacial, da estrutura aos sistemas de produção de energia.
É uma competição educativa independente, que simula o modelo de trabalho da indústria aeroespacial, mas não é organizada pela agência espacial norte-americana. Lua foi selecionada para integrar a representação europeia depois de participar na final europeia, em março. “Foi um esforço individual e coletivo”, contou à SIC.
A final decorre nos últimos dias de julho e reúne equipas de vários pontos do mundo, agrupadas em “empresas” que defendem os seus projetos perante um júri.
O gosto pelo espaço é antigo, mas ganhou uma dimensão mais concreta em 2024. Nesse ano, Lua foi finalista da iniciativa Astronauta por um Dia, da Agência Espacial Portuguesa, e tornou-se a primeira finalista do distrito de Castelo Branco a chegar a essa fase, com a missão de levar a iniciativa às escolas do interior.
A bordo do Airbus A310 ZERO-G, operado pela francesa Novespace, participou num voo de 15 parábolas, durante o qual experimentou a gravidade da Lua e de Marte e períodos de microgravidade, somando cerca de cinco minutos a flutuar — uma coincidência inevitável, dado o nome.
O percurso já tinha chegado ao Parlamento: no discurso do 25 de Abril, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, apontou-a como exemplo e chamou-lhe “aluna brilhante”.
Sobre o futuro, Lua pondera seguir Engenharia Aeroespacial, mas prefere não fechar portas. Para já, a única certeza leva-a mesmo à Florida.
(ZAP)

