Portugal acredita no potencial da cloud para acelerar a adoção da IA, mas a distância entre ambição e execução continua a separar líderes de seguidores, defende Pedro Cruz.
A Inteligência Artificial está a criar uma nova divisão entre organizações: as que tratam a cloud como infraestrutura e as que a utilizam como plataforma estratégica de criação de valor. Os dados do mais recente estudo da NTT DATA mostram que as organizações em Portugal compreendem esta mudança. Cerca de 78% das organizações nacionais acreditam que a cloud deve desempenhar um papel crucial na geração de valor e inovação, acima da média global de 64%. No entanto, apenas 6% se consideram verdadeiramente “cloud-evolved”, face aos 14% registados globalmente. O problema não é falta de ambição. É a capacidade de execução.
A cloud tornou-se a plataforma da IA
A cloud já não é apenas o local onde as aplicações residem. É a camada operacional onde a IA executa, aprende e escala. Em Portugal, 98% das organizações reconhecem que a ascensão da IA aumentou a necessidade de investir em cloud. Ainda assim, 94% admitem que os atuais níveis de investimento colocam em risco iniciativas de modernização, cloud-native e IA. Esta contradição evidencia um desafio estratégico: muitas organizações querem acelerar a adoção de IA, mas continuam a operar sobre fundações tecnológicas insuficientes para a suportar.
Os líderes de mercado já perceberam que estratégias de cloud e IA não podem ser desenvolvidas separadamente. Quando existe alinhamento entre tecnologia, dados e objetivos de negócio, a IA deixa de ser um conjunto de pilotos e transforma-se num motor de crescimento.
Modernizar para criar valor
A maior barreira à inovação continua a ser o legado tecnológico. Em Portugal, 58% das organizações afirmam não possuir ainda ambientes cloud-native modernos e 34% identificam a modernização de aplicações e plataformas de dados como um obstáculo direto à inovação. Globalmente, esse indicador sobe para 50%, demonstrando que este é um desafio transversal. Ao mesmo tempo, 42% apontam problemas de qualidade, preparação e governação dos dados como a principal razão para o insucesso de iniciativas cloud-native com IA.
Sem dados preparados a inovação não se traduz em resultados consistentes
A vantagem competitiva não virá da adoção de mais ferramentas de IA, mas da capacidade de modernizar aplicações, estruturar dados e integrar inteligência artificial nos processos de negócio.
A próxima fase da transformação será definida pela confiança. Apenas 22% das organizações portuguesas afirmam estar muito confiantes na sua postura de segurança cloud, contra 36% da média global e 68% entre os cloud leaders. Apenas 32% se consideram altamente preparadas para gerir riscos associados à cloud e à IA. À medida que a IA se torna mais autónoma, a segurança, governação e compliance deixam de ser temas técnicos e passam a ser fatores críticos de competitividade.
A principal conclusão para CIOs, CTOs e C-levels é clara: Portugal demonstra uma visão avançada sobre o papel estratégico da cloud, mas continua a existir um fosso entre intenção e execução. As organizações que conseguirem acelerar a maturidade cloud, modernizar as suas plataformas e criar bases sólidas para a IA serão as que transformarão tecnologia em crescimento sustentável. As restantes correrão o risco de ver a próxima vaga de inovação passar ao lado.
Por Pedro Cruz – Partner, Head of Digital Architecture, Cybersecurity and Infrastructures Services da NTT DATA Portugal
(Teksapo)
