Uma novidade discreta que resolve um problema antigo
Durante anos, os portáteis com gráficos integrados sofreram do mesmo mal: a memória de vídeo era atribuída automaticamente pelo sistema, muitas vezes de forma insuficiente para jogos ou aplicações criativas. A AMD introduziu uma funcionalidade chamada Variable Graphics Memory (VGM), disponível no software Adrenalin para processadores Ryzen AI 300 e Ryzen 8040, que permite ao utilizador decidir quanta RAM do sistema é dedicada ao GPU integrado Radeon. É uma mudança pequena na aparência, mas com impacto real no desempenho.
Porque é que isto interessa
Nos portáteis mais recentes com chips como o Ryzen AI 9 HX 370 ou o Ryzen AI 9 365, o GPU integrado Radeon 890M já rivaliza com placas dedicadas de gama de entrada. O problema é que muitos jogos e ferramentas de IA local verificam a quantidade de VRAM antes de correr. Se o sistema só reserva 512 MB ou 2 GB, aplicações como o Stable Diffusion ou títulos como o Hogwarts Legacy podem recusar-se a arrancar ou apresentar quebras graves de textura.
Com o VGM, é possível reservar até 75% da RAM total como memória gráfica dedicada. Num portátil com 32 GB, isso significa dedicar até 24 GB ao GPU, uma quantidade impensável há pouco tempo em qualquer placa portátil.
Como ativar o Variable Graphics Memory
O processo é simples, desde que tenhas o driver Adrenalin atualizado para a versão mais recente e um portátil compatível:
1. Abre o AMD Software: Adrenalin Edition e vai a Definições (ícone de engrenagem).
2. No separador Sistema, procura a secção Graphics e localiza a opção Variable Graphics Memory.
3. Escolhe entre os modos disponíveis: Auto (deixa o sistema decidir), Gaming (reserva uma porção intermédia otimizada para jogos) ou um valor personalizado em GB.
4. Reinicia o portátil para aplicar a alteração.
Que valor escolher
Não há uma resposta única. Para jogos AAA em 1080p com definições médias, 8 GB de VRAM dedicada oferecem um bom equilíbrio. Para modelos de IA locais como o Llama 3 ou geração de imagem, quanto mais melhor, sendo 16 GB o ponto onde a maioria dos modelos quantizados corre confortavelmente. Se usas o portátil sobretudo para produtividade e navegação, deixa em Auto para não sacrificar RAM ao sistema.
Vale a pena lembrar que a memória reservada ao GPU deixa de estar disponível para o Windows e para as aplicações. Num portátil com 16 GB, dedicar 8 GB ao Radeon deixa apenas 8 GB para o resto, o que pode ser apertado se costumas ter muitos separadores abertos.
Limitações a ter em conta
Esta funcionalidade só está disponível em portáteis. Nos desktops com APUs Ryzen equivalentes, a AMD ainda não libertou o VGM através do Adrenalin, embora seja possível ajustar a memória gráfica pela BIOS na maioria das motherboards. Além disso, o fabricante do portátil pode limitar os valores máximos permitidos, mesmo que o chip suporte mais.
Outro ponto: o desempenho não escala infinitamente. Reservar 24 GB não torna o Radeon 890M mais rápido, apenas garante que aplicações exigentes em VRAM conseguem correr. A largura de banda da memória continua a ser partilhada com o CPU, e é essa a verdadeira limitação dos gráficos integrados.
Um passo na direção certa
O Variable Graphics Memory não transforma um portátil ultraligeiro numa máquina de gaming, mas remove uma das últimas barreiras artificiais que separavam os gráficos integrados das placas dedicadas. Para quem investe num portátil Ryzen AI recente, é uma daquelas funcionalidades que vale a pena explorar antes de assumir que o hardware não chega para determinada tarefa.
(ITO)
