Supercomputador LineShine da China atinge topo mundial sem usar placas gráficas

By | 30/06/2026

A China voltou a dominar a lista dos computadores mais rápidos do planeta, superando as pesadas restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. Segundo a lista oficial do projeto TOP500, o novo sistema alcançou o primeiro lugar ao destronar o americano El Capitan, marcando o regresso do país asiático à liderança do setor pela primeira vez desde 2018.

Arquitetura baseada em processadores desafia sanções

A administração norte-americana tem aplicado tarifas rigorosas e bloqueado o acesso a chips de alto desempenho de empresas como a NVIDIA, numa tentativa de travar o avanço tecnológico chinês num mercado onde os Estados Unidos controlam três das cinco posições de topo. A resposta de Pequim passou por contornar a habitual dependência de componentes estrangeiros.

O LineShine não utiliza uma única unidade de processamento gráfico na sua estrutura, algo atípico visto que estas são a espinha dorsal da maioria dos equipamentos modernos de alta capacidade. A máquina depende exclusivamente de unidades centrais de processamento disponíveis localmente, sendo alimentada por cerca de 45 mil processadores LX2. Cada um destes chips está equipado com 304 núcleos a operar a 1,55 GHz, com a comunicação de dados a fluir através de uma rede de baixa latência e alta velocidade denominada LingQi.

Desempenho extremo com impacto na eficiência energética

Em termos de capacidade de cálculo, a infraestrutura quebrou a barreira dos 2000 exaflops, apresentando um desempenho 20% superior ao segundo classificado. Esta conquista técnica serve simultaneamente como uma mensagem política de autonomia por parte do governo chinês face às limitações impostas pelo ocidente.

O compromisso necessário para alcançar esta independência bruta reflete-se de forma acentuada na fatura de eletricidade. O sistema consome 42,2 megawatts de energia, um valor substancialmente superior e muito menos eficiente quando comparado com os 29,7 megawatts exigidos pelo El Capitan.

Para o mercado europeu, este cenário prático ilustra as consequências diretas da fragmentação tecnológica global. A impossibilidade de aceder aos componentes mais avançados obriga as nações sancionadas a adotarem soluções menos otimizadas do ponto de vista ambiental e energético, sacrificando a eficiência em prol da autossuficiência e da força de processamento pura.

(TT)