Orange Bible. A app que paga em bitcoin a quem lê as Escrituras

By | 24/06/2026

Há uma “comunidade rica e vibrante de cristãos bitcoiners”, diz o criador da app — que, entre fé, inteligência artificial e criptomoedas, transforma a leitura das Escrituras num jogo digital com recompensas em satoshis.

A Orange Bible, uma app de leitura da Bíblia para iOS criada por Alin Armstrong, recompensa os utilizadores com pequenas quantias em bitcoin por manterem o hábito diário de ler as Escrituras, num exemplo de como até a prática religiosa está a ser absorvida pela economia digital das recompensas, das sequências e das subscrições.

À primeira vista, a Orange Bible parece uma aplicação de leitura da Bíblia semelhante a muitas outras. Recorre a duas versões da Bíblia em domínio público e oferece funcionalidades comuns neste tipo de ferramentas: pesquisa, marcação de passagens, notas, planos de leitura, e diário de oração.

O elemento distintivo é financeiro. Os utilizadores iniciam um plano de leitura e acumulam satoshis, a unidade mais pequena de um bitcoin, por cumprirem uma rotina diária. As recompensas podem aumentar à medida que as sequências de dias consecutivos desbloqueiam escalões superiores.

“O que distingue a Orange Bible de todas as outras apps de leitura da Bíblia é a sua estrutura única de recompensas. Não se ganha um emblema nem uma sequência digital. Ganha-se bitcoin real”, explicou Armstrong à Gizmodo.

A aplicação é gratuita, mas o “serviço completo” está reservado a uma subscrição premium de 8,99 dólares por mês. Os subscritores recebem o triplo das recompensas em bitcoin por cada sessão de leitura e têm acesso ao Bible Study Assistant, descrito como um “assistente de estudo bíblico com inteligência artificial” capaz de responder a perguntas sobre versículos, resumir conversas e guardar esses resumos num comentário pessoal.

Armstrong construiu a aplicação a partir de um nicho já existente, no cruzamento entre comunidades cristãs online e defensores da bitcoin.

Quando se interessou pela criptomoeda, em 2020, ficou surpreendido por encontrar o que descreveu como “uma comunidade rica e vibrante de cristãos bitcoiners”. O sucesso do seu livro autopublicado, que diz ter vendido mais de 10.000 exemplares nos últimos três anos, terá reforçado essa convicção.

Armstrong sustenta que a própria tecnologia pode aproximar as pessoas da fé. Defende que há utilizadores que “chegam pela Bitcoin e saem cristãos”, por considerar que as regras fixas e verificáveis da moeda os confrontam com uma verdade objetiva, num mundo que descreve como feito de “dinheiro falso, comida falsa, notícias falsas, tudo falso”.

Na sua perspetiva, a bitcoin não é apenas próxima da cultura cristã: assenta nos seus valores. “Os princípios que as Escrituras estabelecem sobre o dinheiro — pesos honestos, ausência de desvalorização, uma medida justa (Provérbios 11:1) — são exatamente os princípios codificados no protocolo”, afirmou.

“Dois mil anos de pensamento económico cristão, escritos em código. Chamo à Bitcoin a máquina da verdade, porque toda a verdade é verdade de Deus”.

(ZAP)