A OpenAI revelou num relatório recente que um grupo de utilizadores, muito provavelmente baseado na China, recorreu ao seu popular chatbot para planear e executar uma campanha coordenada de manipulação. A operação tinha como principal objetivo moldar a opinião dos cidadãos norte-americanos relativamente à construção e ao impacto dos centros de dados focados em inteligência artificial.
A estratégia do grupo “Data Center Bandwagon”
De acordo com as informações partilhadas pela empresa liderada por Sam Altman, as contas foram divididas em dois grupos distintos. O primeiro, batizado internamente de “Data Center Bandwagon”, utilizou o ChatGPT para criar argumentos e argumentos visuais, como bandas desenhadas, em inglês. O foco destas publicações centrava-se no forte aumento do consumo de eletricidade provocado por estas instalações e no consequente agravamento das faturas de energia para os consumidores comuns.
Estes operadores faziam-se passar por cidadãos dos EUA com diferentes origens nas redes sociais, publicando os textos e imagens obtidos através da IA. A tecnológica acredita que os responsáveis fazem parte de uma equipa de redes sociais de uma empresa privada chinesa que presta serviços a clientes governamentais locais. Para facilitar o processo, chegaram a submeter um ficheiro ao chatbot onde detalhavam as suas estratégias para criar perfis falsos sem serem detetados pelas plataformas.
Adicionalmente, este mesmo grupo focou-se em cidadãos chineses a residir noutros países, solicitando a criação de insultos direcionados a dissidentes e comentadores políticos da China. Sob a capa de imigrantes e profissionais de engenharia estabelecidos nos EUA, também incentivaram figuras públicas da internet a criticar as falhas políticas do governo norte-americano.
O impacto real da energia e as políticas tecnológicas
Apesar de as contas associadas à operação serem falsas, a OpenAI sublinha que as publicações partilhavam hiperligações para notícias legítimas sobre a capacidade da rede elétrica e a procura energética dos centros de dados. O aumento das tarifas de eletricidade em regiões próximas destas grandes infraestruturas é uma preocupação real. Segundo dados avançados num relatório da Bloomberg, a eletricidade nestas zonas específicas chega a custar mais 267% por mês face aos valores registados há cinco anos, uma vez que a procura supera largamente a capacidade de fornecimento disponível.
Por outro lado, o segundo grupo de contas identificado pela OpenAI focou-se na produção de comentários e ilustrações que visavam criticar as tarifas e as decisões tecnológicas dos EUA, enfatizando uma narrativa de traição face aos seus aliados internacionais. Nas instruções fornecidas à plataforma, os operadores pediram especificamente para excluir a figura do presidente chinês, Xi Jinping, das imagens geradas, ordenando ainda que as interações fossem escritas em inglês, italiano, japonês e chinês tradicional, com o intuito de atingir o público de Taiwan.
A OpenAI esclarece que as campanhas não conseguiram alcançar um envolvimento autêntico significativo e não alteraram a perceção pública. Contudo, a relevância do caso prende-se com a tentativa deliberada de inserção camuflada num debate interno em curso nos EUA, omitindo as verdadeiras identidades e motivações dos envolvidos. Os motivos que levaram os operadores a preferir um sistema norte-americano em detrimento de alternativas locais permanecem por esclarecer.
(TT)
