Enquanto se prepara para tentar elevar a órbita de um observatório astronómico numa trajetória em degradação, a NASA admite fazer algo semelhante com o Hubble, desde que seja possível reduzir os seus custos de operação. Mas o mítico telescópio espacial foi construído noutra era…
A NASA anunciou a 5 de junho que a nova nave robótica LINK, construída pela Katalyst Space, chegou ao Wallops Flight Facility, na Virgínia. A nave encontrava-se nas instalações da Katalyst, no Colorado, para os preparativos finais, depois de ter concluído testes ambientais no Goddard Space Flight Center no mês passado.
A agência espacial norte-americana atribuiu à Katalyst, em Setembro passado, um contrato de 30 milhões de dólares para desenvolver e lançar a Link. No fim do mês, a sonda deverá ser lançada para o espaço, num foguetão Pegasus XL, da Northrop Grumman.
Uma vez em órbita, a nave deverá aproximar-se e acoplar-se ao Neil Gehrels Swift Observatory, da NASA, um observatório de raios gama cuja órbita terrestre baixa está a perder altitude devido ao arrasto atmosférico.
A Link tentará elevar a órbita do Swift, para que este possa continuar as suas observações. A agência reconhece que se trata de uma missão de alto risco: a nave será a primeira missão da Katalyst, e o Swift não foi concebido para receber manutenção em órbita.
“Este foi sempre um esforço com poucas probabilidades de sucesso. Sempre que se tenta passar da sala de reuniões para a plataforma de lançamento num ano, assume-se muito risco, e é aí que estamos”, afirmou Shawn Domagal-Goldman, director da divisão de astrofísica da NASA, durante uma reunião do Astronomy and Astrophysics Advisory Committee, a 1 de Junho.
Ainda assim, nota a Space News, a NASA decidiu avançar com o projeto, devido ao retorno do investimento que poderá resultar da extensão da vida útil do Swift por uma fracção do custo de o substituir.
“Também pensamos que é uma boa forma de sinalizar à comunidade comercial que há procura e que estamos disponíveis para fazer este tipo de coisas quando fazem sentido do ponto de vista do retorno do investimento”, acrescentou Domagal-Goldman.
Essa possibilidade poderá incluir a elevação da órbita de uma nave muito maior: o mítico Telescópio Espacial Hubble, cuja órbita também está a degradar-se gradualmente.
Numa conferência da American Astronomical Society, em Janeiro, Jennifer Lotz, directora do Space Telescope Science Institute, afirmou que os modelos orbitais apontavam para uma data de reentrada na Terra em 2033.
Segundo Domagal-Goldman, o esforço para elevar a órbita do Swift oferece um modelo para o Hubble. “Estas operações de elevação orbital já não estão apenas disponíveis para nós enquanto agência, como os custos são mais baixos do que eu esperava”, afirmou. “Isso torna o retorno do investimento mais atrativo”.
Há, contudo, um problema: o elevado custo de operação do Hubble. A NASA gastou 98,8 milhões de dólares com o telescópio no ano fiscal de 2025, ficando apenas atrás do James Webb Space Telescope.
“Foi construído noutra era e é mais dispendioso mantê-lo e extrair dele a melhor ciência possível”, explica Domagal-Goldman.
A Direção de Missões Científicas da NASA tem procurado lidar com os custos das missões prolongadas, e responsáveis da agência têm discutido a intenção de reduzir despesas para libertar financiamento para novas missões.
Domagal-Goldman diz que a NASA terá de encontrar uma forma de baixar os custos de operação do Hubble para tornar viável uma elevação da sua órbita.
“Estamos abertos a uma elevação da órbita do Hubble”, afirmou. “Por isso, temos primeiro de perceber como vamos reduzir os custos de operação”. O responsável não especificou qual a redução de custos pretendida pela NASA.
Se isso for possível, acrescentou, o Hubble poderá continuar a operar durante muitos mais anos depois de a sua órbita ser elevada. “Poderá ser uma boa ponte para o Habitable Worlds Observatory”, o próximo grande telescópio espacial óptico e ultravioleta que a NASA está a desenvolver para lançamento na década de 2040.
(ZAP)
