Novo dispositivo faz processadores funcionar 1000 vezes mais rápido sem gerar calor adicional

By | 07/06/2026

O dispositivo promete reduzir significativamente o consumo energético e de água dos data centers.

Uma equipa de investigadores no Japão desenvolveu um dispositivo computacional inovador que pode aumentar significativamente a velocidade de processamento, reduzindo drasticamente a geração de calor, um dos maiores desafios enfrentados pelos modernos centros de dados e sistemas de computação de alto desempenho.

A nova tecnologia, descrita num estudo publicado na revista Science a 14 de maio, baseia-se num “elemento de comutação não volátil” capaz de processar informação a velocidades sem precedentes.

De acordo com os investigadores, o dispositivo consegue comutar um único bit de informação em apenas 40 trilionésimos de segundo. Em comparação, os chips de computador convencionais têm frequentemente dificuldade em processar um bit em menos de um nanossegundo.

A inovação aborda um problema antigo na computação: à medida que os processadores se tornam mais rápidos, geralmente consomem mais energia e produzem mais calor residual. Este desafio é particularmente crítico em centros de dados na nuvem, onde milhares de servidores operam continuamente e exigem sistemas de arrefecimento extensivos para evitar o sobreaquecimento.

Para construir o dispositivo, os cientistas combinaram camadas ultrafinas de tântalo e um material antiferromagnético conhecido como Mn3Sn num substrato de sílica. De seguida, utilizaram pulsos de luz ultrarrápidos, gerados dentro dos comprimentos de onda padrão das telecomunicações, para desencadear alterações no estado magnético do material.

O processo de comutação baseia-se na manipulação dos spins dos eletrões, em vez da manutenção de uma corrente elétrica contínua. Como resultado, o dispositivo pode armazenar informação sem consumo constante de energia, reduzindo tanto as necessidades energéticas como a produção de calor, refere o Live Science.

Testes em laboratório mostraram que o dispositivo se manteve estável e fiável após mais de mil milhões de operações de comutação. Os investigadores relataram que o sistema gerou apenas um calor adicional mínimo em comparação com os processadores convencionais, sugerindo que poderia superar um dos principais obstáculos à escalabilidade da capacidade computacional no futuro.

O desenvolvimento pode ter grandes implicações para os setores que dependem de recursos computacionais maciços, incluindo a inteligência artificial, a computação em nuvem, a investigação científica e as telecomunicações. O menor consumo de energia não só reduziria os custos operacionais, como também poderia ajudar a limitar o impacto ambiental dos grandes centros de dados.

Apesar dos resultados promissores, ainda persistem desafios significativos antes que a tecnologia atinja a implantação comercial. O tântalo é um metal relativamente raro e muito procurado, o que levanta potenciais preocupações quanto ao fornecimento. O dispositivo também precisa de comprovar a sua fiabilidade fora de ambientes controlados de laboratório e ser adaptado para o fabrico em larga escala.

Os investigadores estimam que um protótipo de um chip que incorpore a tecnologia poderá estar pronto até 2030. Trabalhos futuros irão focar-se em reduzir ainda mais o consumo de energia, diminuindo a espessura da camada de Mn3Sn e desenvolvendo métodos de produção economicamente viáveis ​​para o fabrico dos dispositivos à escala industrial.

(ZAP)