Éric Chacour :“Não tenho a certeza de que vidas confortáveis deem origem a grandes romances”

By | 04/06/2026

O Que Não Sei de Ti, o primeiro romance de Éric Chacour, usa uma história de amor entre dois homens no Cairo para falar de classe, masculinidade e exílio. Numa conversa sobre o Egito, a memória familiar e os papéis sociais que nos são impostos, o autor explica porque é que este é, acima de tudo, “um livro de mulheres”.

Éric Chacour tem uma energia solar. O escritor canadiano sorri e fala como se nos conhecêssemos há muito tempo. Há qualquer coisa de familiar que se instala na sua presença e nos seus modos afáveis. Acaba de chegar a Lisboa e encontramo-nos à margem de um jantar organizado pelo designer de moda Christian Louboutin em honra do lançamento português de O Que Não Sei de Ti, publicado no Canadá e em França em 2023. Sentamo-nos à conversa num jardim de inverno de inspiração oriental, na encosta do Castelo, com Lisboa a abrir-se ao fundo. Desde então, o romance de estreia de Chacour não parou de receber prémios e conquistar leitores e crítica um pouco por todo o mundo. Tudo nele é intrigante: uma história de amor avassaladora, um narrador que nos interpela na segunda pessoa e um coro de mulheres que nos conta como sobreviver ao silêncio, à ausência e ao desejo. Há também o Cairo – cidade ruidosa, cheia de memórias e cheiros – onde o preconceito se revela implacável perante o amor vivido entre dois homens. A narrativa construída por Chacour é feita de sobressaltos, tornando a leitura intensa e dramática sem nunca cair no cliché. O escritor escreveu livro enquanto trabalhava num banco, o sucesso que tem encontrado mudou a sua vida por completo.

Na conversa que se segue, evito revelar elementos que possam estragar a surpresa da leitura do romance.

Tiago Manaia (T.M.) — Na tua infância ou adolescência, houve algum momento em que sentiste que a cidade do Cairo se tornaria uma personagem à parte inteira neste teu primeiro romance, O Que Não Sei de Ti?

Éric Chacour (E.C.) — Eu nasci em Montreal. Na verdade, os meus pais nasceram no Egito, mas conheceram-se em Montreal. Quando eu tinha dez anos, mudámo-nos para França. Éramos uma espécie de ramificação da família, já afastada do núcleo de Montreal. E isso aproximou-nos muito da família que vivia no Egito. Acho que nunca teria escrito este livro se não tivesse tido essa proximidade, se não tivesse ouvido os seus relatos, as suas histórias. Nos últimos anos, tentei sempre pôr a minha tia e a minha prima a falar. Fazia-lhes perguntas um pouco anódinas e anotava no telemóvel as histórias que me contavam.

T.M.— Tinhas que idade, mais ou menos?

E.C.— Já foi no final da escrita do livro, nestes últimos anos. Na verdade, foram os meus pais e muitas mulheres da minha família que me fizeram amar o Egito. Transmitiram-me realmente esse amor. Apercebi-me de que foi sobretudo através delas que aprendi a amar o Egito que está no livro.

T.M.— O Egito que relatas torna-se uma personagem à parte inteira no livro. Mergulhamos nas suas ruas e nas pessoas que ali vivem. Mas este livro é também uma história de imigração? Como no romance, a tua família também imigrou para o Canadá.

E.C. — No fundo, todas essas tribos, todas essas histórias, são-me muito familiares…. Fui ao Egito entre quinze e vinte vezes. Mas o Egito que conto é muito diferente daquele que vejo quando vou lá. Porque o Egito que descrevo é ainda uma comunidade. Uma comunidade levantina, composta por pessoas vindas da Síria, do Líbano e da Palestina; maioritariamente cristã, muito francófona, que falava francês antes mesmo do árabe e que já era, de certa forma, imigrante no Egito. Grande parte dessas pessoas nem sequer tinha passaporte egípcio. Quando Nasser chegou ao poder (em 1952), houve todo um movimento de nacionalização e elas tiveram de partir. Como não tinham passaporte egípcio, as suas empresas eram consideradas propriedade estrangeira. Muitos partiram, inclusive para Montreal, para onde foram os meus pais. Mas também para outros destinos francófonos. Acho que quis contar algo sobre a ausência. Este livro é sobre o exílio, mas é, acima de tudo, sobre a ausência. O exílio é a causa.
A ausência é verdadeiramente aquilo que eu queria descrever. E uma ausência vista através de cada membro da família. A ausência que provoca um personagem central, um pilar daquela família, observada através do ponto de vista de cada uma das mulheres: a mãe, a irmã, a empregada doméstica, a esposa. Acho que queria contar algo sobre essas pessoas que se exilaram e sobre a ausência que isso cria.

“(…) quis criar o meu Romeu e Julieta entre dois homens nesse Egito. Era como pegar em várias coisas que me tocavam e tentar reuni-las. Este romance é algo que trago comigo há muito tempo.”

T.M.— Tarek, o jovem médico que protagoniza a tua história, é apresentado ao leitor como alguém fora da norma, logo na infância. É fácil identificá-lo como queer; é desajeitado no quotidiano, desligado de uma ideia de virilidade. Mas ele acaba por se tornar quase normativo, por se enquadrar no que os outros esperam dele. E ficamos um pouco surpreendidos quando cede à tentação de ter uma história de amor proibida.

E.C.—  Tarek é um rapaz que nunca fez muitas perguntas a si próprio. Tinha uma vida inteira traçada à sua espera. Iria seguir a profissão do pai. Teria o mesmo lugar na comunidade que os pais tiveram. Os seus amigos seriam os filhos dos amigos dos pais. A vida dele estava toda definida, e devia ser muito confortável. Não tenho a certeza de que vidas confortáveis deem origem a grandes romances.
E, de repente, acontece qualquer coisa. Algo que faz descarrilar essa vida, algo que torna impossível continuar a viver como até então. E este livro é, no fundo, uma história de descarrilamento. Vês um comboio a sair dos carris e a transformar-se em obsessão. E chega um momento em que a tua verdade se torna incompatível com a vida que tinham preparado para ti. Acho que queria contar precisamente isso: essa espécie de dicotomia em que, por vezes, percebemos que a vida que levamos não corresponde à vida que temos dentro de nós. E quais são as consequências disso? E como reage o resto da sociedade – neste caso, uma sociedade tradicional?

T.M. — Posso perguntar-te como recebeu a tua família uma história assim?

E.C.— É engraçado. Contei-lhes muito tarde que estava a escrever um romance. Só lhes disse quando estava prestes a publicá-lo. Todos ficaram muito entusiasmados. Perguntaram-me: “Então, como é que se vai chamar?” E eu respondi: O Que Não Sei de Ti. Houve então um silêncio na família: “Sobre quem é que vais fazer revelações?” E eu disse: “É ficção.” (pausa)
Acho que, na minha família, todos ficaram tocados por eu querer contar algo passado no Egito. O Egito que eles me contaram. O Egito que ouvia no fim das refeições, quando todos tinham bebido um pouco a mais e começavam a contar histórias da juventude. O Egito dos meus tios, dos meus pais. Um Egito onde iam ao clube desportivo ouvir música que vinha de França. Cresci com esses relatos e fiz deles o pano de fundo da minha história. Depois, quis criar o meu Romeu e Julieta entre dois homens nesse Egito. Era como pegar em várias coisas que me tocavam e tentar reuni-las. Este romance é algo que trago comigo há muito tempo.

T.M.— E pensaste na estrutura de alguma forma? Há muitas reviravoltas na ação.

E.C.— Eu venho do Quebeque. E lá nós temos realmente uma confluência de duas culturas literárias distintas. Há uma cultura literária francesa, francófona, muito centrada na beleza da frase, na elegância da expressão, na escolha das palavras. E há uma cultura muito mais norte-americana, onde adoramos reviravoltas, falsas pistas e aparências enganadoras. Quando escrevo, tento pôr um pouco das duas. Tento criar frases onde apeteça parar, mas também situações em que se queira virar a página para descobrir o que vai acontecer. Divirto-me muito a fazer planos.  Preciso de ter um plano extremamente preciso, muito detalhado: saber, capítulo a capítulo, quais são as personagens presentes, as informações que trocam, os elementos que podem dar vontade de continuar a leitura. E, uma vez que tenho esse plano, posso começar a escrever. Até fora de ordem, porque sei que no fim tudo vai encaixar.
Escrevi este romance ao longo de quinze anos. Há cenas consecutivas que foram escritas com quinze anos de diferença.

“No início, o meu verdadeiro sonho não era ser escritor. Queria escrever letras de canções. Era isso que queria fazer quando era criança. Sonhava ligar o rádio e ouvir um cantor ou uma cantora de que gostasse a cantar letras escritas por mim.”

T.M.— Não sabia que tinhas estado com o teu romance durante tanto tempo. Sei que trabalhas mais ou menos na área da finança, não é?

E.C.— Sim, trabalhava num banco, um universo muito distante da literatura. E também nunca estudei literatura. Quando digo quinze anos, também não quero dizer que vivi como um monge, a escrever todas as manhãs uma frase. Não foi isso. Houve períodos em que não toquei no manuscrito. Mas, entre a primeira e a última frase, passaram-se cerca de quinze anos. E como ninguém estava à minha espera… era um primeiro romance.  E eu nem sequer acreditava que o conseguiria publicar um dia.

T.M.— E sempre foste apaixonado pelas tuas personagens? 

E.C.— Esta história, na minha cabeça, era bonita. Não sabia se teria talento para a tornar bonita por escrito, mas sabia que, dentro de mim ela existia. E esse era o desafio. 

T.M.— E, como não tinhas estudado literatura, o que te dava vontade de escrever?

E.C.— No início, o meu verdadeiro sonho não era ser escritor. Queria escrever letras de canções. Era isso que queria fazer quando era criança. Sonhava ligar o rádio e ouvir um cantor ou uma cantora de que gostasse a cantar letras escritas por mim. Era realmente isso que me movia. Só que eu não sabia tocar nenhum instrumento. Não tinha amigos compositores. Então pensei: “Bom, talvez o melhor plano B seja escrever um romance, porque isso depende apenas de mim. Estou sozinho na minha cama com os meus amigos imaginários e tento construir situações, criar o carácter de cada um e vê-los evoluir ao longo de centenas de páginas, algo que não se pode fazer numa canção. Mas acho que conservei qualquer coisa de musical na maneira como construo as frases.

T.M.— Há também muitos não-ditos, muito silêncio neste livro. Há muitas histórias que não são contadas.

E.C.— Sim, é engraçado, porque há agora um projeto de adaptação para teatro. E é muito difícil adaptar para teatro um romance cheio de silêncio. Mas, ao mesmo tempo, acho isso fascinante, porque há muitas coisas que adivinhamos precisamente através do que não é dito.
Há uma cena neste livro em que uma das personagens percebe o tabu que existe em torno da vida de Tarek e tenta, através das não-conversas, através de tudo aquilo que não lhe podem dizer, compreender o que isso significa. Gosto muito dessa ideia de interpretar os silêncios e fazer alguma coisa com eles.

T.M.— A escritora Leïla Slimani diz no seu ensaio O Perfume das Flores à Noite que “escrever é jogar com o silêncio”.

E.C.— Sim, e acho que, na minha maneira de escrever, estou muito ligado a isso. Por exemplo, há uma mulher traída neste livro. Eu podia descrevê-la na cama, a telefonar à melhor amiga e a chorar, a dizer: “Não sabes o que me está a acontecer. O meu marido traiu-me, e ainda por cima com um homem.” Nesse caso, todos os leitores compreenderiam imediatamente que deviam sentir empatia por ela, porque ela está a chorar e explica explicitamente porquê. Mas eu prefiro mil vezes fazê-la atravessar um corredor, olhar para uma fotografia do seu casamento e simplesmente descrever o gesto da mão que vira a moldura para não voltar a vê-la. Porque isso diz exatamente a mesma coisa. Cabe a quem lê interpretar esse silêncio.            Gosto de deixar que os leitores deduzam, compreendam, interpretem. E não faz mal se não tiverem exatamente a mesma leitura que eu das personagens.

T.M.— Leste O Quarto de Giovanni, de James Baldwin?

E.C.— Ainda não, mas falam-me muito dele.

T.M:.— Certamente porque na personagem de Giovanni existe esse lado sombrio comum ao Ali, o jovem amante do teu livro. No teu romance, a certa altura, sentimos um desfasamento social entre Tarek e Ali. Há aí uma dimensão muito dura. Querias também dizer que o amor entre duas classes sociais – mesmo entre dois homens – continua a ser um amor proibido?

E.C.— O que é curioso é que o Tarek e Ali são diferentes em quase tudo. Não vêm da mesma classe social, não têm a mesma religião, não partilham o mesmo nível de riqueza nem o mesmo ambiente familiar. Não têm, para dizer o mínimo, a mesma profissão. No fundo, a única coisa que têm em comum é serem ambos homens naquele Egito do final do século XX. E o paradoxo, quase absurdo, é precisamente esse: é esse ponto em comum que lhes é mais censurado do que todas as diferenças que acabei de mencionar. Porque, no fundo, talvez se pudesse tolerar todas essas diferenças. O que não se aceita é precisamente aquilo que partilham: serem dois homens naquele Egito. Acho que queria dizer algo sobre essa absurdidade.

“Foi uma emoção imensa ouvir finalmente as minhas personagens a conversar na sua própria língua. Por vezes reconhecia os nomes delas no meio das frases ditas. Guardo uma memória muito forte desse momento.”

T.M.— O livro foi lido no Egito?

E.C.— Estive no Egito há algumas semanas. Acho que foi uma das viagens mais emocionantes que vivi por causa deste livro.

T.M.— Porque encontraste a comunidade LGBT? Encontraste leitores?

E.C.— Fui a universidades, livrarias, escolas. Falei na cidade natal do meu pai e na da minha mãe. Foi extremamente emocionante poder falar desta história lá. Houve também no Egito uma residência de tradução: reuniram jovens tradutores, com cerca de vinte anos, vindos de todo o Médio Oriente (do Líbano, do Egito, da Argélia, de Marrocos) para trabalharem durante quatro ou cinco dias em torno do romance. Fizemos um workshop com uma tradutora responsável pelo departamento de tradução da Universidade de Al-Azhar, no Cairo, para discutir as dificuldades da tradução. E eu, que não falo árabe, podia ajudá-los na intenção de uma frase, embora obviamente não pudesse intervir na escolha das palavras.
Foi uma emoção imensa ouvir finalmente as minhas personagens a conversar na sua própria língua. Por vezes reconhecia os nomes delas no meio das frases ditas. Guardo uma memória muito forte desse momento.

T.M.— A personagem que trabalha como empregada doméstica é muito comovente… E não quero revelar demasiado da sua história nesta entrevista. Queria saber se a hierarquia da vida dela se aproxima de algo que encontraste na história da tua família.

E.C.— Toca-me que fales dela, porque é a minha personagem preferida. Quando fazemos um plano para escrever, cada personagem tem uma função na narrativa. E a função dela era simplesmente deter certas informações e transmiti-las a outra personagem. Inicialmente, era só isso. Mas às vezes acontece algo um pouco mágico quando se escreve: podemos apaixonar-nos por uma personagem. E foi exatamente isso que aconteceu com ela. Apaixonei-me pela sua luta. Por esta mulher que tem coisas a dizer sobre tudo e que ninguém escuta verdadeiramente.
Ela faz parte da família no sentido em que trabalha para eles todos os dias. Chega de manhã, vai-se embora à noite, acompanha-os nas férias, faz as camas, prepara as refeições. Mas, ao mesmo tempo, nunca pertence verdadeiramente àquela família. E eles fazem-na sentir isso. Perguntam-lhe como está, mas ninguém ouve realmente a resposta. E depois, de uma maneira que não vamos revelar aqui, ela descobre finalmente um público. Alguém passa a precisar dela. Então começa a diluir aqueles dois gramas de informação que possui em histórias sobre galinhas, cantores mortos, antigos amantes…. Quanto mais a escrevia, mais gostava dela. E quando sabia que a ia reencontrar num capítulo, acrescentava páginas, prolongava os diálogos. Senti-me profundamente tocado pela luta desta mulher que descobre finalmente pessoas dispostas a ouvi-la.

“Pode-se esmagar um homem com o peso das responsabilidades que lhe são impostas. Mas também se pode esmagar uma mulher com tudo aquilo que lhe é recusado.”

T.M.— Na verdade, este é um livro de mulheres. Há uma história entre dois homens, claro, mas continua a ser um livro de mulheres.

E.C.— Toca-me muito ouvir isso. Porque repara: a capa portuguesa representa dois homens. E, na verdade, quase todas as capas das edições publicadas pelo mundo mostram sempre um homem, um rapaz, um jovem, ou então dois homens. Mas eu acho que este é um romance profundamente feminino. Acho que as personagens mais interessantes deste livro são as mulheres. (pausa) E também queria dizer algo sobre estas sociedades tradicionais, onde às vezes um homem pode ser esmagado pelo peso das responsabilidades que lhe são impostas simplesmente por ser homem. Mas uma mulher também pode ser esmagada por tudo aquilo que lhe é recusado precisamente por ser mulher. Queria contar algo sobre os papéis sociais que nos são atribuídos e que, muitas vezes, não correspondem àquilo que somos no fundo.

T.M.— O que acontece agora à tua vida? Vais tornar-te escritor a tempo inteiro?

E.C.— Passei por um grande período de negação. Durante um ano e meio dizia a mim mesmo: “Sim, coisas estão a acontecer, mas isto vai passar.” E depois percebi que não. E não queria olhar para trás um dia e pensar: “Não tiveste coragem de apanhar o comboio e embarcar.” Acabei por me lançar numa vida de escrita a tempo inteiro. Veremos durante quanto tempo. Mas não foi uma decisão fácil, porque eu não sou um grande aventureiro. Não precisava de virar a mesa e mudar tudo na minha vida. Tinha um cargo de direção num banco, uma vida bastante confortável – um pouco como Tarek. (risos) E não precisava, como ele, de um descarrilamento. Mas às vezes existe uma espécie de verdade que nos chama. E acho que não devemos decepcionar a criança que fomos em tempos.

T.M.— Sim, é um pouco como se a ficção te abraçasse, da mesma forma que eles se beijam no livro

E.C.— Acho que há qualquer coisa disso, sim.

Autor:
  • Nasce em Lisboa. Na adolescência faz teatro com Carlos Avilez. Aos 18 anos parte para Paris e estuda no Conservatoire National Superieur D’Art Dramatique. No cinema trabalha com Christophe Honoré, Patric Chiha, Maya Da-Rin, João Canijo. Faz teatro com Cyril Teste e no regresso a Lisboa trabalha com Luis Miguel Cintra no Teatro da Cornucópia. Começa também escrever para a imprensa sem nunca mais parar até aos dias de hoje. Colabora com o jornal Público, as revistas Vogue e Máxima, para esta última tem entrevistado inúmeras personalidades ligadas ao cinema, literatura ou música. Para a discoteca Lux Frágil editou um gigantesco arquivo fotográfico sobre as noites de Lisboa, ao lado de Manuel Reis com quem colaborou exaustivamente. No canal Now faz uma rubrica semanal chamada Dicionário de Estilo, onde liga a moda à atualidade do mundo.

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