A China apresentou uma bateria de ferro puro que promete competir com as de lítio no armazenamento de energia. Esta oferece mais de seis mil ciclos de carga, uma vida útil equivalente a cerca de 16 anos de uso diário.
Segundo o El Confidencial, esta tecnologia não pretende substituir imediatamente a bateria de um telemóvel ou de um carro elétrico, embora estas aplicações não sejam descartadas no futuro.
O seu domínio natural seria o armazenamento em grande escala, onde as instalações elétricas necessitam de sistemas duradouros, seguros e económicos para equilibrar a produção de energia solar e eólica quando não há sol ou vento.
Num novo estudo, publicado em abril na Advanced Energy Materials, a equipa desenvolveu uma nova bateria de fluxo alcalina inteiramente feita em ferro. Esta criação surge num momento em que a indústria procura armazenar energia renovável durante longos períodos sem depender tanto de matérias-primas com valores elevados.
A equipa concebeu um novo complexo de ferro com uma estrutura molecular volumosa e uma interface carregada negativamente. Essa dupla proteção impede que os iões hidróxido ataquem o centro de ferro e reduz a passagem de ligantes através da membrana.
Os testes refletem o avanço técnico, sendo que a bateria ultrapassou os 6000 ciclos sem perda de capacidade e atingiu uma eficiência coulómbica média de 99,4%. O desempenho também se manteve em condições mais exigentes.
Além disso, as análises multiescala indicaram que o novo eletrólito reduz o cruzamento de ligantes em duas ordens de magnitude em comparação com os sistemas convencionais.
A tecnologia ainda tem de demonstrar se pode ser transferida para instalações reais com custos mais competitivos, mas a abordagem revela-se promissora para projetos mais pequenos.
Se for implementada com sucesso, a bateria de ferro poderá tornar-se uma peça importante para armazenar energia renovável, reforçar a segurança energética e reduzir a dependência de lítio.
(Soraia Ferreira, ZAP)
