“Cprkrn” tinha 5 bitcoins numa carteira de criptomoedas. Há 11 anos, numa altura em que se encontrava “pedrado”, decidiu mudar a password — e nunca mais se lembrou. Pediu ajuda à IA para a descobrir. 3,5 biliões de tentativas depois, conseguiu recuperar o acesso à carteira bloqueada.
É bastante raro ouvirmos histórias positivas sobre inteligência artificial, mas há pelo menos uma pessoa grata pela proliferação dos grandes modelos de linguagem.
Um utilizador do X, com o nome cprkrn, contou esta semana que se esqueceu da palavra-passe da sua carteira há 11 anos, e que conseguiu agora aceder às suas criptomoedas com a ajuda do Claude AI.
O utilizador conta que ficou impedido de aceder à sua carteira “depois de ter fumado umas ganzas” e ter alterado a palavra-passe. Obviamente, esqueceu-se dela.
Há algumas semanas, cprkrn encontrou uma antiga mnemónica que percebeu que correspondia à sua palavra-passe anterior. Recorreu à inteligência artificial para tentar resolver o problema, e carregou para o Claude AI todo o conteúdo do computador que usava na universidade.
A inteligência artificial da Anthropic descobriu que um antigo ficheiro da carteira, datado de dezembro de 2019, era a peça que faltava. Ao que tudo indica, esse ficheiro continha as chaves privadas necessárias para aceder à carteira da Blockchain.com que guardava 5 BTC, comprados em 2015.
A Bitcoin valia na altura cerca de 250 dólares, algo como 215 euros. Os 1250 dólares que então valiam as 5 bitcoins, pouco mais de 1000 euros, valem agora 400 mil dólares — quase 350 mil euros.
O utilizador tentou durante anos recuperar o acesso através de “brute force” com o btcrecover, uma ferramenta de código aberto para recuperação de carteiras de Bitcoin, e que já tinha testado um número absurdo de combinações.
Aparentemente, o Claude resolveu mesmo o problema à custa de “força bruta”: fez nada menos do que a 3,5 biliões de tentativas de adivinhar a palavra-passe, nenhuma das quais suficiente, por si só, para resolver o problema, conta o TechSpot.
Mas, por fim, a antiga mnemónica coincidiu com endereços associados a um ficheiro específico. O Claude encontrou então uma cópia de segurança antiga e detetou um erro na configuração da palavra-passe que fazia com que a chave partilhada e as palavras-passe candidatas não estivessem a ser combinadas corretamente. Corrigida essa falha, conseguiu desencriptar a carteira.
Na eufórica publicação no X em que assinalar a recuperação, cprkrn agradeceu à Anthropic e ao seu diretor-executivo, Dario Amodei, e diz, provavelmente a brincar, que se tiver um filho lhe vai dar o nome de Dario.
Talvez fosse mais adequado chamar-lhe Claudio.
(ZAP)
