O papel do talento feminino nas TIC na expansão das bases de talento tecnológico

By | 20/05/2026

A diversidade nas Tecnologias da informação e Comunicação ganha uma importância acrescida num cenário de escassez de talento disponível. Nuno Ferro diz que é preciso apostar de forma decisiva na criação de condições que permitam ao talento feminino aceder a este setor .

A transformação digital tem vindo a redefinir profundamente o mercado de trabalho, com impacto direto na forma como as organizações recrutam, desenvolvem e retêm talento. A crescente adoção de tecnologias como a inteligência artificial, a cloud ou a cibersegurança veio intensificar a procura por perfis altamente qualificados, ao mesmo tempo que expôs um desafio estrutural já conhecido: a escassez de talento especializado.

Neste contexto, a questão da diversidade nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) ganha uma relevância acrescida. Não apenas numa perspetiva social, mas sobretudo enquanto fator crítico para a capacidade de resposta das organizações e para a necessidade de alargar e diversificar as bases de talento disponíveis.

Os dados mostram que ainda existe um desequilíbrio relevante na representatividade feminina no setor tecnológico. Segundo a McKinsey & Company, as mulheres representam cerca de 19% dos trabalhadores em funções core de tecnologia na Europa, uma descida de 3 pontos percentuais face ao estudo anterior. Este dado é particularmente relevante porque evidencia não apenas a persistência da sub-representação feminina, mas também uma tendência recente de agravamento em funções tecnológicas mais especializadas.

Em Portugal, esta realidade não é diferente. No ano passado, 59.600 mulheres trabalhavam na área das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), o que representa 22,7% do setor, segundo dados do Eurostat publicados pela Comissão Europeia.

Na Experis, enquanto especialista global em talento tecnológico, vemos este fenómeno de forma muito concreta no mercado: as empresas procuram cada vez mais perfis qualificados em áreas como cloud, dados, cibersegurança e desenvolvimento de software, mas continuam a enfrentar dificuldades em diversificar as suas equipas. Ao mesmo tempo, sabemos que existe talento feminino altamente qualificado que ainda não estão a ser suficientemente integrado ou promovido, representando uma oportunidade evidente de otimização deste ecossistema.

As razões são conhecidas e amplamente estudadas: desde a formação de estereótipos de género no percurso educativo, até à reduzida representatividade em posições de liderança. A estes fatores juntam-se culturas organizacionais pouco inclusivas e desafios associados à conciliação entre vida pessoal e profissional que continuam a funcionar como barreiras à entrada e progressão e retenção das mulheres na tecnologia.

Nos últimos anos, várias organizações têm vindo a atuar sobre estes fatores. Programas de reskilling e upskilling orientados para mulheres em transição de carreira, de processos de recrutamento mais inclusivos e baseados em competências, passando pela aposta em mentoria e role models femininos no setor tecnológico são algumas das respostas que têm vindo a ganhar escala no setor. Mais do que atrair talento feminino para a tecnologia, o verdadeiro desafio está em garantir que esse talento cresce, permanece e lidera.

O desafio mantém-se: é preciso apostar de forma decisiva na criação de condições que permitam ao talento feminino aceder a este setor – começando logo nas etapas de formação e seleção de carreiras – e, em seguida, evoluir profissionalmente, com acesso equitativo a oportunidades de desenvolvimento de novas competências e de crescimento na carreira. Num setor marcado pela disrupção tecnológica e pela escassez e competição global de talento, a diversidade deixa de ser apenas uma questão de equidade e passa a ser um fator determinante de competitividade.

Por Nuno Ferro, Brand Lead Experis