A indústria automóvel da Europa enfrenta uma crise estrutural grave que resultou na eliminação de mais de 100 mil postos de trabalho entre os anos de 2024 e 2025. Segundo a documentação oficial revelada pela CLEPA, a associação que defende os fornecedores do setor, o continente poderá perder até 23% do valor gerado por veículo ao longo dos próximos cinco anos, colocando em risco a curto prazo cerca de 350 mil empregos.
O principal catalisador deste cenário preocupante está na elevada competitividade dos fabricantes da China. As marcas de origem asiática conseguem produzir automóveis elétricos com custos de fabrico drasticamente inferiores aos do continente europeu, chegando a comercializar os seus veículos com valores 30% mais baratos.
A resposta da união europeia e as suas falhas
Para combater este declínio, a Comissão Europeia propôs a implementação do Industrial Accelerator Act. Esta nova legislação dita que qualquer marca que pretenda usufruir de incentivos estatais ou concursos públicos para produzir veículos sustentáveis terá de assegurar que, pelo menos, 70% dos componentes têm origem europeia. Apesar de aplaudir a iniciativa, a associação alerta que a versão atual do plano apresenta demasiadas exceções.
Um dos pontos de maior discórdia reside na definição legal de produção europeia. A proposta restringe o selo aos 27 Estados-membros, deixando de fora parceiros essenciais como o Reino Unido e os países do espaço EFTA. A associação exige a inclusão destes territórios na definição oficial, desde que se garantam condições justas de concorrência e uma reciprocidade real no mercado.
Ajustes cruciais para proteger a indústria
A atual formulação da lei permite que as entidades contornem a regra da origem local caso isso implique um aumento de despesas superior a 25% ou 30%. O problema é que, como a diferença de preços face ao exterior excede habitualmente esta margem, a exceção corre o risco de se tornar a regra principal. De forma a evitar que a lei se torne inútil, os fornecedores sugerem que este limite de proteção seja elevado para os 35%.
Outra preocupação prende-se com a fragmentação do sistema, já que o modelo permite que cada nação crie as suas próprias regras de apoio, gerando confusão entre as empresas. Além disso, as regras para o investimento estrangeiro exigem valores mínimos de 100 milhões de euros para o acesso a certos benefícios, um montante que afasta grande parte dos pequenos e médios fornecedores. A exigência passa por baixar este teto para os 30 milhões de euros, garantindo que o setor responsável por grande parte da inovação e registo de patentes da região consiga sobreviver à atual transição de mobilidade.
(TT)
