Japan Airlines coloca robôs humanoides a carregar as tuas malas no aeroporto de Tóquio

By | 03/05/2026

Já alguma vez sentiste que estamos a caminhar a passos largos para um cenário de ficção científica distópico? Como se a vigilância em massa e os avanços da inteligência artificial não fossem suficientes, agora temos robôs a tomar conta do trabalho pesado. É exatamente este o cenário que a Japan Airlines (JAL) está a preparar, segundo avançou o jornal The Guardian, ao anunciar a introdução de androides para auxiliar as equipas no manuseamento de bagagens.

Um reforço metálico nas pistas de aterragem

Esta nova força de trabalho tecnológica faz parte de um teste que tem início marcado para maio. Os robôs humanoides vão começar a movimentar malas e carga pesada no Aeroporto de Haneda, em Tóquio. Durante uma recente apresentação da companhia aérea, foi possível ver um destes ajudantes a empurrar suavemente caixas para um tapete rolante e até a acenar a um colega humano. Curiosamente, a sua estatura não é propriamente intimidante: medem apenas cerca de 1,30 metros de altura, embora possuam uma autonomia de bateria que lhes permite operar continuamente entre duas a três horas.

A implementação não será feita de forma abrupta. O projeto prevê várias fases, começando com o mapeamento e análise minuciosa das condições do aeroporto para identificar as áreas onde máquinas e humanos podem operar lado a lado em total segurança. Depois de passarem por simulações rigorosas, os androides vão finalmente juntar-se às equipas reais nas pistas. Se os resultados forem positivos, a JAL admite expandir as suas funções para outras tarefas, como a limpeza das cabines dos aviões.

A solução para a crise demográfica japonesa

Habitualmente, a automação levanta receios sobre a perda de empregos, mas o contexto do Japão apresenta um desafio diferente. O país enfrenta uma grave escassez de mão de obra, impulsionada por uma população cada vez mais envelhecida e uma taxa de natalidade muito baixa. Quando juntamos a isto a forte pressão política para limitar a imigração, cria-se o ambiente perfeito para que as grandes empresas apostem na substituição mecânica para manterem as suas operações a funcionar.

Independentemente do desfecho destes testes, é evidente que a adoção de inteligência artificial e robótica avançada no setor corporativo é uma caixa de Pandora que já foi aberta. Resta-nos esperar que a nossa linha temporal se revele um pouco mais otimista do que as visões obscuras que a literatura de ficção científica nos tem vindo a alertar ao longo das décadas.

(TT)