2025 foi o 3º ano mais quente desde que há registo. Limites dos Acordos de Paris estão mais próximos

By | 02/05/2026

O ano de 2024 ainda tem o recorde mas os dados do Copernicus mostram que 2025 foi o terceiro ano mais quente desde que há registo. E que a tendência é para continuar a aquecer.

Os últimos 11 anos bateram todos os recordes de temperatura e foram os mais quentes da lista de registos apurados pelos cientistas. 2024 continua a ser o mais quente de sempre, com o ano de 2025 a aproximar-se perigosamente. Em conjunto com 2023, os últimos três anos estão, em média, 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais, o que acontece pela primeira vez.

Os dados acabam de ser divulgados no relatório do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), que opera o C3S e o CAMS do Copernicus para a Comissão Europeia, e revelam uma situação ainda mais preocupante.

Com base nos níveis de temperaturas registados, o limite de 1,5º alcançado nos acordos de Paris podem ser alcançados ainda esta década, cerca de 10 anos antes do que foi previsto na altura.

“O facto de os últimos onze anos terem sido os mais quentes de que há registo fornece mais provas da tendência inegável para um clima mais quente. O mundo está a aproximar-se rapidamente do limite de temperatura a longo prazo estabelecido pelo Acordo de Paris”, afirma Carlo Buontempo, diretor do serviço de Alterações Climáticas do Copernicus.

“Vamos certamente ultrapassá-lo [o limite de Paris], a escolha que temos agora é como gerir da melhor forma esta inevitável ultrapassagem e as suas consequências para as sociedades e os sistemas naturais”, avisa.

O crescimento dos gases de estufa é a razão principal do aumento da temperatura. Laurence Rouil, Diretor do Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus no ECMWF, diz que os gases com efeito de estufa na atmosfera têm aumentado constantemente nos últimos 10 anos.

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Europa regista ondas de calor do Ártico ao Mediterrâneo

A Europa é uma das regiões do Planeta maia afetadas por este aquecimento global e 2025 foi o terceiro ano mais quente alguma vez registado no continente europeu. A temperatura média foi de 10,41°C, 1,17°C acima da média para o período de referência de 1991-2020 e 0,30°C abaixo do ano mais quente, em 2024.

O aquecimento rápido na Europa está a reduzir a cobertura de neve e gelo, enquanto temperaturas do ar perigosamente elevadas e secas, as ondas de calor e temperaturas oceânicas recorde estão a afetar regiões desde o Ártico até ao Mediterrâneo.

O vídeo mostra a evolução da temperatura no Planeta

No relatório indica-se que pelo menos 95% da Europa registou temperaturas anuais acima da média em 2025. É apontado o exemplo da onda de calor recorde de três semanas que afetou a região da Península Escandinava, Finlândia, Península de Kola (Rússia) e Carélia, conhecida como Fennoscândia (ou Fino-Escandinávia) , onde foram ultrapassadas temperaturas de 30 °C.

Global Climate Report 2025

Segundo os dados, os glaciares em todas as regiões europeias registaram uma perda líquida de massa, com a Islândia a atingir a sua segunda maior perda de sempre. A cobertura de neve ficou 31% abaixo da média e a camada de gelo da Gronelândia perdeu 139 gigatoneladas (139 mil milhões de toneladas) de gelo.

Os impactos fizeram-se sentir também nos incêndios florestais, na redução dos caudais dos rios, e em tempestades e inundações que afetaram milhares de pessoas. Já este ano Portugal foi atingido por um “comboio de tempestades” com danos que ainda estão a ser apurados.

De notar ainda que os oceanos absorveram cerca de 90% do excesso de calor causado pelas emissões de gases com efeito de estufa provocadas pelo homem. “Em 2025, a região oceânica europeia registou a temperatura anual da superfície do mar mais elevada de que há registo, marcando o quarto ano consecutivo de calor recorde”, refere o comunicado do estudo.

(Teksapo)