A fabricante chinesa CATL anunciou o desenvolvimento de uma bateria capaz de permitir a um veículo elétrico percorrer até 1.500 quilómetros com uma única carga.
A nova versão da bateria Qilin, capaz de fazer 1.500 quilómetros com uma única carga, supera significativamente a autonomia da geração anterior, que atingia cerca de mil quilómetros, segundo a empresa, que apresentou também melhorias na velocidade de carregamento.
A CATL revelou ainda uma atualização da bateria Shenxing, capaz de carregar de 10% para 98% em seis minutos e meio, uma melhoria face aos 15 minutos necessários na versão anterior para carregar de 5% a 80%.
O desempenho anunciado ultrapassa o da mais recente bateria Blade da também chinesa BYD, apresentada em março, que necessita de cerca de nove minutos para carregar de 10% a 97%.
As duas empresas chinesas, que em conjunto representam mais de metade do mercado global de baterias para veículos elétricos, têm acelerado o investimento em investigação e desenvolvimento, com foco em química de células e processos de fabrico.
“O limite da eletroquímica ainda está longe de ser atingido e as possibilidades da ciência dos materiais estão longe de se esgotar”, afirmou o fundador da CATL, Robin Zeng Yuqun, durante uma apresentação em Pequim.
Segundo a empresa, os avanços tecnológicos visam responder a preocupações persistentes dos consumidores, como o tempo de carregamento, a autonomia em viagens longas e o desempenho em condições extremas de temperatura.
A redução acentuada dos custos das baterias, aliada ao rápido progresso tecnológico de empresas como a CATL e a BYD, está também a reforçar a posição dominante da China neste setor estratégico, essencial tanto para veículos elétricos como para sistemas de armazenamento de energia.
A CATL anunciou ainda planos para reforçar o investimento em infraestruturas de carregamento e troca de baterias, alinhando-se com os objetivos do Governo chinês.
A empresa prevê construir até 100 mil estações de carregamento e troca de baterias até 2028, em parceria com fabricantes automóveis chineses, e integrar melhor estas infraestruturas no sistema elétrico do país.
Entre outras iniciativas, a CATL indicou que pretende iniciar ainda em 2026 a produção em massa de baterias de iões de sódio, uma tecnologia que poderá reduzir a dependência de matérias-primas como lítio, cobalto e níquel.
Os anúncios foram feitos antes do salão automóvel de Pequim, onde deverão ser apresentados cerca de 1.400 novos modelos de veículos.
Carros chineses invertem papéis face à Europa
As marcas automóveis chinesas estão a entrar sem complexos na Europa, apoiadas em tecnologia que os europeus tentam agora replicar, numa inesperada inversão de papéis.
Em grande parte desconhecidas na Europa há três anos, marcas como BYD, MG, Chery, Geely, Leapmotor, Jaecoo e Xpeng atingiram em conjunto 9% das vendas na Europa em março, e mesmo 14% no segmento dos veículos elétricos, segundo a consultora Dataforce – o dobro face ao ano anterior.
Alguns modelos já figuram entre os mais vendidos em países como Itália, Espanha ou Reino Unido.
O seu sucesso está a abalar construtores europeus fragilizados por um mercado interno em queda desde 2019, e surpreendidos pelo plano da União Europeia para atingir 90% de carros elétricos até 2035.
Em contrapartida, a política europeia acabou por beneficiar os fabricantes chineses, muito mais avançados no setor elétrico e apoiados pelo Estado nos seus mercados de origem.
“A Europa, um dos poucos grandes mercados mundiais, é um destino natural para os construtores chineses. O plano da UE para o carro elétrico foi praticamente feito para eles, abrindo-lhes o mercado europeu em muito pouco tempo”, resumiu Jamel Taganza, responsável da consultora Inovev, citado pela AFP.
A exportação é ainda mais necessária para estes fabricantes do que para os europeus, dado o excesso de capacidade: as fábricas chinesas operam a cerca de 50% do seu potencial, face a cerca de 60% na Europa, sublinhou à mesma agência, Alexandre Marian, analista da AlixPartners.
“Os pontos fortes dos construtores chineses não se limitam aos custos laborais, passam também pela inovação”, disse, por seu turno, Michael Foundoukidis, analista automóvel da Oddo.
“Na China, oferecem hoje veículos duas vezes mais eficientes por metade do preço” face aos europeus, explicou.
O próximo passo é produzir localmente. “Todos os construtores consideram que, para se implantarem num mercado, é mais simples produzir no local, evitando tarifas aduaneiras e problemas logísticos”, afirmou ainda Lionel French Keogh, diretor comercial da Chery em França, que pretende fabricar na Europa um pequeno veículo elétrico urbano.
“Se quiserem ultrapassar de forma sustentável os 10% de quota de mercado na Europa, não terão outra escolha senão montar veículos no continente”, acrescentou o analista da Oddo.
As barreiras aduaneiras impostas pela União Europeia em 2024 aos veículos elétricos importados reforçam esta tendência.
A BYD vai abrir uma fábrica na Hungria. A Leapmotor, parceira da Stellantis, prevê produzir dois modelos numa fábrica do grupo em Saragoça, Espanha.
Segundo a imprensa, a Stellantis equaciona também produzir modelos Leapmotor sob a marca Opel em Espanha. Já a Xpeng monta veículos na Áustria.
Para responder, os construtores europeus estão a adotar a estratégia chinesa dos anos 2000: aprender com o concorrente através de parcerias. Exemplos incluem a Stellantis com a Leapmotor e a Volkswagen com a Xpeng, que lançaram um primeiro modelo elétrico conjunto para o mercado chinês. Outro caso é a Renault, que se aliou à Geely no desenvolvimento de motores térmicos e híbridos.
(ZAP // Lusa)
