A EFF vai abandonar o X. O tráfego já não é o que era: apenas 3%

By | 18/04/2026

A organização sem fins lucrativos afirma que vai sair porque “os números já não batem certo” há algum tempo. “Muitos utilizadores saíram. Hoje, juntamo-nos a eles”, diz a fundação.

A Electronic Frontier Foundation, organização sem fins lucrativos dedicada à privacidade digital, vai deixar de publicar no X a partir de quinta-feira, em grande parte devido a uma queda acentuada nas visualizações na plataforma ao longo dos últimos anos.

Numa publicação no blogue da fundação a anunciar a saída, Kenyatta Thomas, responsável pelas redes sociais da EFF, explicou que a organização tinha habitualmente entre 50 e 100 milhões de impressões por mês no X, mas que esse cenário mudou.

“No ano passado, as nossas 1.500 publicações geraram cerca de 13 milhões de impressões durante o ano inteiro. Sem rodeios: uma publicação no X recebe hoje menos de 3% das visualizações que um único tweet gerava há sete anos”.

De acordo com a publicação de quinta-feira, a tendência decrescente na cultura e nas políticas do X também pesou na decisão da EFF de abandonar a plataforma.

Quando Elon Musk comprou o então Twitter, em 2022, a EFF partilhou publicamente as mudanças que gostaria de ver na plataforma, incluindo uma moderação de conteúdos mais transparente, maior segurança e mais controlo para os utilizadores e programadores terceiros.

A EFF considera que essas mudanças nunca se concretizaram, e alega que o X mudou para pior desde 2022. “Muitos utilizadores saíram. Hoje, juntamo-nos a eles”, escreve Thomas.

A Electronic Frontier Foundation vai continuar a partilhar conteúdos sobre privacidade digital e liberdade de expressão nos seus outros canais nas redes sociais, incluindo no Bluesky, Mastodon, LinkedIn, Instagram, TikTok, Facebook e YouTube.

A EFF é uma organização internacional sem fins lucrativos, fundada em 1990 e sediada em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Dedica-se à defesa dos direitos e liberdades civis no mundo digital.

As suas principais áreas de atuação incluem a luta contra a vigilância em massa por governos e empresas em massa, a defesa do direito dos cidadãos à privacidade nas comunicações e na utilização da internet, da liberdade de expressão online e do direito à livre circulação de informação.

A fundação opõe-se a legislação e práticas que considere restritivas para os utilizadores, nomeadamente em questões de propriedade intelectual, gestão de direitos digitais e acesso à informação.

É também conhecida por desenvolver ferramentas de proteção da privacidade, como a extensão de navegador HTTPS Everywhere (entretanto descontinuada) e o Privacy Badger, que bloqueia rastreadores online.

(ZAP)