Memória RAM atinge preços surpreendentes e 128 GB já custam mais que uma placa gráfica de topo

By | 14/04/2026

A corrida incessante pela inteligência artificial está a ter um efeito colateral pesado no mercado de hardware. Com as grandes empresas a investirem milhões para treinar modelos complexos, a procura por componentes atingiu níveis sem precedentes. O resultado reflete-se diretamente nas etiquetas de preço, com a memória RAM e o armazenamento a registarem subidas drásticas, conforme detalha o portal Videocardz.

O peso da inteligência artificial no hardware

Para treinar e executar modelos de linguagem de grande escala, não basta ter as melhores placas gráficas da NVIDIA ou aceleradores dedicados. Toda a infraestrutura precisa de acompanhar este ritmo, exigindo quantidades massivas de VRAM, memória RAM convencional e discos SSD ou HDD de alta capacidade. Esta procura desenfreada sugou os stocks e atirou os preços para valores inacessíveis para o consumidor comum.

O desinteresse gerado por esta inflação já se faz notar. Analistas preveem uma queda a dois dígitos nos envios de computadores ao longo de 2026, afetando com maior impacto a gama baixa, uma vez que montar um sistema por menos de 500 dólares (cerca de 460 euros) tornou-se uma missão quase impossível.

Prateleiras cheias de memória a preços de luxo

O cenário ganha contornos mais nítidos nas lojas de retalho norte-americanas. Na conhecida cadeia Micro Center, um kit de 128 GB de memória RAM CORSAIR Vengeance RGB DDR5 a 6400 MHz encontra-se à venda por 4199 dólares, um valor que ronda os 3860 euros. Há poucos meses, 32 GB de DDR5 eram considerados um componente relativamente acessível, mas a escalada atual mudou as regras do jogo.

Apesar da suposta escassez que justifica estes preços, as prateleiras das lojas continuam repletas de caixas. A realidade é que, ao contrário de uma atualização no processador ou na placa gráfica, o salto para 128 GB de RAM não traz benefícios visíveis em jogos ou nas tarefas do dia a dia de grande parte dos utilizadores. Uma capacidade tão extrema destina-se a um nicho muito específico de profissionais que trabalham com renderização 3D intensa, edição de vídeo complexa ou ferramentas locais de inteligência artificial.

Armazenamento segue a mesma tendência

O impacto desta febre não se limitou à memória volátil. Os discos de estado sólido acompanham a tendência de subida, apresentando valores que afastam a esmagadora maioria dos interessados. O modelo Samsung 9100 PRO com 2 TB de capacidade está marcado a 679,99 dólares (aproximadamente 625 euros). Para quem precisa de ainda mais espaço, a variante de 8 TB do mesmo disco atinge os 2719,99 dólares (cerca de 2500 euros).

Os preços estão num patamar tão elevado que até o mercado paralelo de revenda recuou. O risco de adquirir estes componentes para tentar lucrar mais tarde é demasiado alto, levando a que as lojas acumulem material físico enquanto os consumidores aguardam por uma descida de valores que traga alguma normalidade ao mercado informático.

(TT)