O musgo promete acabar com inundações nas estradas

By | 06/04/2026

A pequena planta pode ajudar a travar cheias repentinas e poluição nas estradas, aponta novo estudo baseado em experiências na Europa.

Substituir a relva por musgo nas bermas e taludes junto às estradas pode vir a tornar-se uma solução natural para reduzir a poluição, abrandar o escoamento da água da chuva e reforçar a biodiversidade, segundo investigadores e experiências em curso em vários países europeus.

Atualmente, muitas encostas ao longo de autoestradas na Europa são revestidas com relva, sobretudo para estabilizar os solos e manter uma aparência cuidada. Mas o musgo poderá oferecer mais vantagens ambientais, numa altura em que vários países procuram respostas baseadas na natureza para enfrentar fenómenos extremos e problemas de degradação ambiental.

Ao contrário da relva, o musgo não tem raízes nem flores: absorve diretamente da atmosfera a água e os minerais de que necessita, o que lhe permite crescer em solos finos, zonas sombrias e superfícies expostas onde outras plantas têm mais dificuldade em sobreviver. Uma vez instalado, exige pouca manutenção, sublinha ainda o ZME Science: cresce devagar, mantém-se rente ao solo e precisaria de ser cortado com muito menos frequência, o que poderia reduzir custos de manutenção em milhares de quilómetros de estrada.

Uma das características mais estudadas do musgo é a sua capacidade de captar poluentes atmosféricos, incluindo metais pesados, compostos de azoto e partículas finas típicas do tráfego rodoviário. Há décadas que é usado como bioindicador para monitorizar a qualidade do ar na Europa.

Mas além da poluição, o musgo poderá também ajudar na gestão da água.

Muitas espécies funcionam como esponjas naturais, capazes de absorver várias vezes o seu próprio peso em água e libertá-la lentamente. Em taludes rodoviários, isso pode atrasar o escoamento durante chuvas intensas, reduzindo a pressão sobre sistemas de drenagem e o risco de cheias repentinas, sobretudo em zonas urbanas ou residenciais próximas de grandes vias.

Os investigadores sublinham ainda o potencial ecológico destas áreas. Bermas e taludes podem funcionar como corredores de habitat para insetos, líquenes, microrganismos e outras espécies, especialmente em paisagens fragmentadas pela agricultura ou pela urbanização.

Mas os especialistas também reconhecem que o musgo não é uma solução universal. Cresce lentamente, pode demorar anos a estabelecer-se e nem todas as espécies resistem bem ao sal usado no degelo das estradas ou a períodos prolongados de seca. Além disso, os poluentes que absorve ficam retidos no material vegetal, o que poderá exigir monitorização e remoção periódica.

(ZAP)