50 anos da Apple: meio século a pensar diferente

By | 03/04/2026

De uma garagem em Los Altos ao estatuto de marca mais valiosa do mundo, a Apple celebra 50 anos de inovação, design e produtos que mudaram a forma como vivemos, trabalhamos e nos ligamos uns aos outros.

Era 1 de abril de 1976 quando Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne assinaram o contrato de constituição de uma empresa que, com o tempo, haveria de redefinir a indústria tecnológica. Porém, ao longo dos anos a Apple acabaria por revolucionar também a indústria da música, das comunicações, do cinema de animação, dos computadores pessoais e até a forma como pagamos as nossas compras.

Ao completar hoje meio século de vida, a Apple celebra uma idade rara junto das grandes empresas tecnológicas, com a particularidade de ser uma data tão carregada de um peso histórico único. 50 anos depois de ter sido fundada numa garagem de Los Altos, na Califórnia, esta é atualmente a marca mais valiosa do mundo, ao ter sido a primeira a empresa a ultrapassar os três biliões de dólares de capitalização bolsista.

Mas a história da Apple não é apenas a história de uma empresa de tecnologia bilionária, é a história de como o design e a intuição podem vencer as especificações técnicas, e de como uma visão obstinada pode mudar civilizações. Para celebrar este meio século de vida, o TEK Notícias preparou um especial dos 50 nos da marca, que percorre os maiores momentos da marca, das invenções que a definem aos tropeções que a humanizaram, passando pela evolução do iPhone. Ou seja, os produtos e serviços que, ainda hoje, formam o coração do ecossistema mais coeso da indústria.

Como a Apple celebra os 50 anos

A Apple iniciou as comemorações do seu 50.º aniversário ainda antes de chegar a data oficial. A empresa lançou uma campanha global sob o mote que sempre a definiu: ‘Think Different’, tendo multiplicado a realização de eventos culturais pelas suas lojas em todo o mundo, transformando as Apple Stores em palcos de celebração criativa.

Veja nas imagens os momentos que marcaram os festejos do 50º aniversário da Apple

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O arranque oficial das festividades deu-se a 13 de março, quando Alicia Keys, vencedora de 17 Prémios Grammy, subiu ao palco improvisado da loja Apple Grand Central, em Nova Iorque, para uma atuação surpresa que foi captada na íntegra por um iPhone 17 Pro. Na audiência estavam Tim Cook, o diretor de engenharia de hardware John Ternus, a responsável pelo retalho Deirdre O’Brien e o responsável de marketing Greg Joswiak.

A partir daí, o calendário de eventos espalhou-se pelo resto do mundo. Em Londres, a loja Apple Battersea recebeu concertos dos Mumford & Sons e da DJ Nia Archives. Em Paris, a Apple Champs-Élysées acolheu um estúdio de gravação temporário em parceria com Pedro Winter, fundador da editora Ed Banger Records, e o produtor Twinsmatic, que ajudou a colocar França no centro da cultura eletrónica global.

Durante dois dias, artistas de várias gerações gravaram novas versões de temas icónicos utilizando exclusivamente equipamentos Mac. Tim Cook aproveitou a ocasião para partilhar uma carta aberta intitulada ’50 Anos a Pensar Diferente‘, em que escreveu que ‘o mundo avança por quem pensa de forma diferente’. Nas suas palavras, a Apple está mais focada em construir o amanhã do que em recordar o ontem, mas reconhece que este marco é uma oportunidade especial para agradecer aos milhões de pessoas que fizeram a marca ser o que é hoje.

Para finalizar as comemorações ficou um evento exclusivo para colaboradores nas instalações da Apple Park, em Cupertino. Segundo os últimos rumores, a atuação de encerramento ficou a cargo de Paul McCartney, uma escolha que, ironicamente, liga a Apple ao universo dos Beatles, cujas tensões com a marca de Cupertino em torno dos direitos de autor marcaram décadas de litígios. Esta será a derradeira reconciliação, que certamente será celebrada por todos, especialmente se incluir um espetáculo com música ao vivo.

Para além das celebrações culturais, a empresa aproveitou o momento para lançar uma onda de novos produtos sem paralelo na sua história. Só no mês de março, a Apple apresentou mais de dez novidades, incluindo o MacBook Neo, o iPhone 17e, novos MacBook Air e MacBook Pro com chips M5, iPad Air com M4, e novos monitores Studio Display. É o maior arranque de ano em lançamentos que a empresa alguma vez protagonizou, e a forma perfeita da Apple demonstrar que, aos 50, ainda tem muito para revelar.

Meio século, uma marca, um ecossistema

Cinquenta anos é uma eternidade na indústria tecnológica. A maioria das empresas que existiam quando a Apple foi fundada, em 1976, já não existe. As que sobreviveram são, na maior parte dos casos, sombras do que foram. A Apple não só sobreviveu como se tornou, por capitalização bolsista, na empresa mais valiosa que o mundo alguma vez conheceu.

O segredo, se é que existe um, é a recusa em fazer concessões entre o que é tecnicamente possível e o que é humano. Steve Jobs repetia que a Apple existia na intersecção da tecnologia e das artes liberais, e essa filosofia, que Tim Cook conseguiu manter, e inclusive, expandir, manifesta-se em cada produto. Mas isto não significa que a marca seja perfeita, e que as críticas não existam.

A Siri, por exemplo, continua a ficar aquém do que a IA da concorrência oferece, o que levou a empresa a realizar um acordo milionário para utilizar serviços Google para alimentar o seu assistente, algo que deverá chegar ainda este ano. Os preços dos produtos topo de gama é outro ponto controverso, existindo cada vez mais vozes críticas que afirmam que os valores pedidos são cada vez mais difíceis de justificar para o utilizador comum.

Existe também quem argumente que a capacidade da Apple em inovar com a introdução de categorias inteiramente novas, como no passado, ficou por demonstrar na última década. É certo que a Apple chegou a lançar os óculos Vision Pro, mas a estratégia para explorar o seu potencial parece ter-se perdido. Felizmente a Apple parece estar a preparar novos lançamentos, como o wearable com IA, os óculos inteligentes e um dispositivo Smart Home.

Mas, no dia em que a Apple completa 50 anos, as contas são claras e a sua história é, no mínimo, peculiar. Trata-se de uma empresa que começou numa garagem com dois ‘Steves’ e um Apple I montado à mão, que quase faliu em 1997 e foi salva por um homem que tinha sido expulso, que inventou o smartphone moderno, criou o segmento dos tablets e orientou todo o mercado para aquilo que deve ser um portátil ultrafino moderno. No meio de tudo isto, a Apple é, de momento, a marca reconhecida por colocar nos bolsos de dois mil milhões de pessoas um dispositivo que é simultaneamente câmara, mapa, banco, biblioteca e janela para o mundo.

(Teksapo)