O dispositivo é impresso em 3D e utiliza uma lente que imita a forma como o olho humano concentra a luz, permitindo que os carros autónomos funcionem mesmo quando há nevoeiro ou chuva.
Após mais de uma década de investimentos e milhares de milhões de dólares aplicados em tecnologia para veículos autónomos, o mau tempo continua a ser um obstáculo persistente. Chuvas fortes, nevoeiro e salpicos na estrada continuam a interferir com os sofisticados sistemas de sensores utilizados pelos carros autónomos, forçando ocasionalmente os veículos a reduzir a velocidade, a desativar o sistema ou até mesmo a parar na berma.
As câmaras e os sistemas laser LiDAR, geram mapas 3D de alta resolução, dependem da luz para funcionar. O nevoeiro dispersa a luz, a chuva distorce-a e o brilho excessivo pode ofuscá-la, o que dificulta a condução.
Agora, engenheiros da Universidade Rice e da Universidade de Buffalo afirmam ter desenvolvido uma forma de baixo custo para resolver este ponto cego. O seu protótipo, chamado EyeDAR, foi apresentado na HotMobile ’26 e centra-se num componente impresso em 3D que custa cerca de 6 euros para fabricar.
Ao contrário dos sensores embarcados, o EyeDAR foi concebido para ser montado na berma da estrada, à semelhança de um sinal de trânsito. O dispositivo capta os sinais de radar emitidos pelos veículos em movimento e determina a direção de origem desses sinais. Em seguida, envia esses dados direcionais de volta, modulando subtilmente o próprio sinal de radar do veículo, eliminando a necessidade de um transmissor separado, explica o Science Finds.
No núcleo do dispositivo está uma lente de Luneburg, uma estrutura esférica que curva as ondas de radar incidentes e as foca numa superfície curva revestida de antenas. O design espelha a forma como o olho humano concentra a luz na retina. Ao focar fisicamente os sinais, o EyeDAR evita a elevada carga computacional típica dos sistemas convencionais de localização de direção por radar e opera com apenas miliwatts de energia.
Em testes laboratoriais utilizando um radar automóvel comercial de 24 GHz, o sistema demonstrou uma elevada precisão direcional. Um método básico de leitura de sinal apresentou um erro médio de 0,68 graus, enquanto uma abordagem ponderada refinada reduziu o erro médio para quase zero dentro da sua resolução angular efetiva de 5,4 graus. O dispositivo também manteve um ganho de sinal estável em toda a gama de ângulos e transmitiu dados de volta para o radar com contraste suficiente para uma deteção fiável.
O protótipo ainda não mede a distância, e uma unidade completa para utilização na via pública exigiria componentes eletrónicos adicionais e uma caixa de proteção. Ainda assim, os investigadores defendem que um preço drasticamente mais baixo poderia tornar o suporte generalizado à infraestrutura economicamente viável.
(ZAP)
